5 de junho de 2026

Como você limpa as patas do seu cachorro depois do passeio?

Veterinário explica os riscos de infecção por fungos e bactérias nas patinhas do dog

Depois do passeio, muita gente limpa o chão, troca o tapete ou até reclama das marcas pela casa. Mas o problema mais sério pode estar grudado onde quase ninguém dá importância: nas patas do cachorro.

Deixar que a sujeira se acumule na região pode custar caro e causar até pododermatite, inflamação dolorosa nas patinhas do seu pet.

Quem explica isso é o veterinário Antônio Defanti Júnior. Não só a sujeira, mas também areia, grama e umidade entre os coxins, as famosas “almofadinhas” das patas, criam um ambiente perfeito para a proliferação de fungos e bactérias.

A região é sensível, abafada e cheia de pequenos espaços onde resíduos ficam presos. Parece pouco, mas pode virar dor, segundo ele.

O que é a pododermatite

O atrito constante desses resíduos com a pele pode provocar pododermatite, uma inflamação dolorosa nas patas. O quadro pode evoluir para infecções bacterianas ou fúngicas mais severas, além de ferimentos causados por pequenos detritos escondidos no pelo, como pedrinhas, espinhos, areia grossa ou fragmentos de grama seca.

Sinais de alerta

O sinal de alerta costuma aparecer no comportamento do animal. Se o cachorro começa a lamber muito as patas, morder os dedos, mancar, evitar apoiar uma das pernas ou apresentar vermelhidão, mau cheiro, inchaço ou secreção, não é “mania”. Pode ser dor, coceira ou infecção. E ignorar esses sinais é o tipo de economia de cuidado que costuma sair caro, para o bolso e para o bicho.

Como limpar direitinho

O ponto mais perigoso da higienização diária, segundo veterinário da clínica Bourgelat, não é apenas deixar a pata suja, é deixar a pata úmida. A umidade residual pode ser tão prejudicial quanto a própria sujeira, porque favorece a multiplicação de microrganismos. Em outras palavras, lavar e não secar direito pode trocar um problema por outro.

Para sujeiras leves ou passeios rápidos, lenços umedecidos veterinários podem ajudar. O ideal é escolher opções sem álcool e sem fragrâncias fortes, para reduzir o risco de irritação. Espumas de higienização a seco também são úteis. Devem ser aplicadas nas almofadinhas e entre os dedos, com massagem leve, e depois removidas com toalha limpa e seca.

Quando o passeio envolve lama, areia pesada ou muita sujeira, a lavagem com água morna pode ser necessária. Nesses casos, o recomendado é usar shampoo ou sabonete neutro próprio para cães. Produtos de uso humano, perfumes e receitas caseiras improvisadas não são uma boa ideia.

Depois vem o passo mais importante, a hora de secar. A toalha deve passar também entre os dedos, não apenas por cima da pata. Em cães com pelos longos na região, o secador no modo frio ou morno pode ajudar, desde que usado com cuidado para não assustar o animal nem aquecer demais a pele.

“Outro cuidado importante é a chamada tosa higiênica da região plantar, que remove o excesso de pelos na sola das patas. Isso reduz a retenção de sujeira e umidade, facilita a limpeza e ainda ajuda a evitar escorregões em pisos lisos”, ensina o veterinário.

A pata do cachorro está em contato direto com a rua, com o quintal, com a grama, com a chuva e com tudo o que o tutor nem sempre vê. Cuidar dessa região não é frescura estética. É prevenção básica.

Qual é a sua opinião?