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Alfredo Nascimento está com o pé na estrada

Ex-prefeito de Manaus, ex-senador e ex-ministro, Alfredo enfrentou a Covid e diz estar pronto para a caminhada

Ele é o presidente nacional de honra do PL e comanda o partido no Amazonas, pelo qual disputará vaga para deputado federal

Alessandra Lippo, para o ÚNICO

Com 70 anos de vida – e há 46 anos vivendo em Manaus –, Alfredo Nascimento é hoje um amazonense por opção e convicção. “Eu nasci no sertão pobre do Rio Grande Norte, e a gente não escolhe onde quer nascer, mas a gente escolhe onde quer viver”, afirma o político que desembarcou no maior estado do Norte do País, como militar da Aeronáutica.
Naquela época, Alfredo mal poderia imaginar que se tornaria um dos políticos mais influentes da terra que escolheu para morar e, mais do que isso, que se tornaria um político de projeção nacional, e por três vezes ministro dos Transportes. “Deus não escolhe os capacitados. Ele capacita os escolhidos. Eu só cheguei onde cheguei porque Deus me escolheu para isso”, pontua o presidente do diretório regional do Partido Liberal (PL), e pré-candidato a deputado federal.

E a entrada de Alfredo Nascimento na vida pública parece mesmo obra do destino, pois ocupar cargos públicos, nunca fez parte de seus planos.

Depois de deixar as Forças Armadas, decidiu se arriscar como empreendedor, atuando no ramo de informática, um dos pioneiros no segmento em Manaus.
“Na época em que eu comecei a minha empresa, trouxe esses computadores que eram enormes, e que serviam para fazer folha de pagamento das empresas. Aquilo foi uma revolução, porque até então, as pessoas faziam tudo isso na mão”, lembra.

A empresa de Alfredo se tornou uma das mais requisitadas do Distrito Industrial de Manaus e isso chamou a atenção do então prefeito da capital, Amazonino Mendes, que convidou o empresário modernizar o Executivo municipal.

Começava ali uma nova carreira. Alfredo foi secretário Extraordinário e também de Administração municipal. Quando Amazonino Mendes assumiu o governo do Estado em 1987, foi convidado a assumir, entre outros cargos, a secretaria de Fazenda. E em 1988, se tornou prefeito interventor de Manaus. Foi o primeiro contato com o cargo que o consagraria na vida política.

Vitória improvável

A vitória nas eleições para a Prefeitura de Manaus, em 1996, foi uma das mais improváveis da história, já que ele começou a campanha tendo apenas 1% das intenções dos votos de acordo com as pesquisas eleitorais da época. “Eu era o azarão naquela disputa, contra nomes consagrados da política. É por isso que eu digo que quando Deus quer, não tem jeito”, comenta.

Social

No comando da cidade, desta vez pelo voto direto, Alfredo deu início a uma verdadeira revolução, com programas sociais que marcaram época. “Eu descobri que ser prefeito não é ser prefeito de uma cidade, mas ser prefeito das pessoas que moram na cidade. O meu gabinete era na rua. Eu pegava um jipe que tenho até hoje e visitava, todos os dias, todas as zonas da cidade”, ressalta.

Na prefeitura, Alfredo criou o “Mãe Social”, programa que selecionava e contratava mulheres para cuidar das crianças da comunidade, fazendo o papel das creches, que não existiam na cidade naquele tempo. “Contratei mais de 3 mil mulheres. Isso gerou emprego dentro das comunidades e permitiu que as mães, que agora tinham com quem deixar os filhos, pudessem conquistar o seu emprego”, observa.

O “Médico da Família” foi outro marco nacional. À época, a prefeitura contratava médicos para atuar junto às comunidades, nas casinhas instaladas em todos os bairros da cidade. “Isso é medicina preventiva. Depois que fizemos o Médico da Família, os atendimentos em pronto-socorros desabaram. Tinha distribuição de medicamentos. Os agentes de saúde eram contratados dentro dos próprios bairros onde eles moravam, isso mudou a cidade. Foi uma revolução”, recorda.

O “S.O.S Funeral” também foi outro programa pioneiro na época, feito para auxiliar famílias de baixa renda que sequer tinham condições dignas de enterrar seus mortos. O programa permanece até os dias de hoje.
À frente do Executivo municipal , além dos programas sociais, Alfredo construiu as minivilas olímpicas, mais de cem campos de futebol na cidade, criou o parque do Idoso, regulamentou o transporte alternativo, fez todas as obras de duplicação e alargamento das principais vias da cidade, construiu viadutos e terminais de integração.

“Praticamente tudo que a cidade tem em termos de infraestrutura, transporte foi construído na minha gestão”, pontua.

Pelo trabalho desempenhado em Manaus, Alfredo foi escolhido por duas vezes, o melhor prefeito do Brasil. O trabalho bem sucedido à frente da prefeitura, levou Nascimento à Brasília, para assumir o ministério dos Transportes. Nos 14 anos em que ficou em Brasília, construiu 44 portos no interior do Estado do Amazonas, se elegeu deputado federal e senador da República.

“Só faltou presidente do Brasil”, brinca Alfredo, que diz ter orgulho da caminhada e, principalmente, pela ficha limpa em mais de 30 anos de serviço público.

“Depois de ter Covid-19 de forma grave, de ter ficado internado na UTI, eu havia desistido da política. Mas o meu filho, Gustavo, disse que tinha ficado mal humorado, turrão. E ele tinha razão, eu não estava feliz. Eu me sinto feliz fazendo o que eu faço, que é a política do bem. Seria uma covardia de minha parte sair de cena em um momento em que a política está tão desacreditada. Deus me deu mais um tempo de vida, e eu quero aproveitar esse tempo que me resta para servir ao povo. É por isso que estou de volta”, conclui.

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