11 de julho de 2026
Hoje é dia de São Bento, o monge que organizou regras para os mosteiros
O santo é reverenciado pela importância que teve na organização monástica da Igreja Católica; ele teve uma irmã gêmea, também santa

Bento de Núrsia, mais conhecido como São Bento foi um monge, ao qual é atribuída a organização das atividades da vida monástica. A Ordem de São Bento ou Ordem dos Beneditinos, uma das maiores ordens monásticas do mundo, recebe esse nome em homenagem a ele, bem como por seguir a regra proposta por ele. A Igreja Católica comemora em 11 de julho a data em homenagem ao santo.
Infância e juventude
São Bento nasceu no ano de 480, em Núrsia, na Itália. Fortemente inclinado desde cedo à oração, e por ser de família nobre, pode se dedicar ao estudo ainda jovem. Estudou artes liberais em Roma, até o dia em que, influenciado por Romano, um eremita, resolve se retirar para uma gruta, no monte Subíaco, para se dedicar exclusivamente à oração e à contemplação. Tinha somente 20 anos.
Passou 3 anos isolado, até que tendo descoberto seu isolamento, bem como sua sabedoria e santidade, várias pessoas passaram a buscá-lo para pedir conselhos e orações.
Sua fama de santidade foi se estendendo tão rapidamente que, perto dali, um convento de monges, que ficara sem superior, se dirigiu a São Bento para que este regesse o convento, na cidade de Vicovaro.
Mosteiro desorganizado
E ele aceitou, após muita insistência dos monges. Porém, a vida que aqueles monges levavam em nada condizia com o ideal de São Bento, o que gerou inimizade a tal ponto de tentarem envenená-lo.
Ao levarem para ele uma taça de vinho envenenado, este o abençoou, como fazia de costume, o que fez com que a taça se rompesse em sua mão. Imediatamente São Bento se levantou, e disse: “Deus tenha compaixão de vós, irmãos. (…) Não vos disse eu previamente que não harmonizavam os vossos e os meus costumes?” Dito isso, retornou a seu isolamento em Subíaco.
Mosteiros de vida exemplar
Com o tempo, São Bento amadurece a ideia de fundar mosteiros que levariam à vida exemplar que tinha como ideal. Aos 40 anos, ele sai da gruta em que residia para fundar, no sul de Roma, aquele que seria o referencial de mosteiros para todo o ocidente: Mosteiro de Monte Cassino.
Ali, ele começou a moldar a diretriz de vida monástica que pauta a vocação dos monges até hoje. A única mudança necessária, entendida por São Bento, é que a vida do monge deve ser comunitária, e não mais solitária numa gruta, tendo, diante de si, a direção de um abade.
A irmã gêmea de São Bento – Santa Escolástica
São Bento tinha uma irmã gêmea, Santa Escolástica, a responsável por liderar o ramo feminino da doutrina beneditina, que também se reuniu em mosteiros femininos para seguir a Regra de São Bento.
Desde jovem, a santa já havia consagrado sua vida a Deus através de um voto de castidade, porém, sem saber onde servir na Igreja. Foi quando seu irmão fundou a Ordem dos Beneditinos, sendo o primeiro mosteiro cristão do Ocidente, que Santa Escolástica entendeu seu chamado, e fundou o ramo feminino da Ordem Beneditina, chamado também de Escolásticas.
São Bento e Santa Escolástica tinham uma relação de profunda e santa amizade. Os mosteiros femininos e masculinos ficavam, geralmente, próximos uns dos outros, mas, mesmo assim, os irmãos gêmeos só se viam uma vez por ano, por causa da escolha de vida mortificada de ambos.
Num desses encontros anuais, os santos passaram o dia falando das coisas do Reino de Deus, a tal ponto que Santa Escolástica implorou a seu irmão que permanecessem em diálogo até o amanhecer. À recusa a esse pedido, pois jamais um monge dormia fora do mosteiro, Santa Escolástica pôs-se a rezar até que, repentinamente, uma tempestade passou a cair numa noite que era impossível que isso ocorresse.
Permaneceram, pois, em colóquio, durante toda a noite. Pela manhã, se dirigiram aos seus mosteiros. Três dias depois desse encontro, no dia 10 de fevereiro de 547, faleceu Santa Escolástica. São Bento, neste momento, viu o espírito de Santa Escolástica subir ao céu, em forma de pomba, para entrar no Paraíso. 4

A morte de São Bento
Depois de sepultar Santa Escolástica no túmulo que havia preparado para si — apenas 40 dias após o falecimento de sua irmã — São Bento entrega sua alma a Deus, no mosteiro que fundou por primeiro. O santo faleceu de pé, na capela, com as mãos elevadas ao céu.
Com a sua morte, sua fama e vida de santidade, bem como a de sua irmã, mais e mais se difundiram em todo o Ocidente. A partir da Regra de São Bento, muitas ordens e almas se inspiraram no lema criado por São Bento: ora et labora, oração e trabalho.
Cruz, medalha e oração de São Bento
A cruz de São Bento tem sua origem no próprio santo. As primeiras medalhas, que eram feitas no Monte Cassino, possuíam a cruz como principal símbolo, pois foi por ela que São Bento evitou inúmeros perigos, sendo um poderoso sinal contra o mal e contra a morte.
A medalha de São Bento, por sua vez, foi sofrendo variações como o passar dos séculos, mas pode ser considerada como um dos maiores símbolos de São Bento, pois carrega em si, além da Cruz de São Bento, toda uma simbologia essencial para a espiritualidade beneditina.
Nas medalhas mais antigas se encontra a figura do santo desenhada, com a frase em latim: “Eius in obitu nostro presentia muniamur” (que na hora de nossa morte, nos proteja tua presença). Atualmente, é comum lermos, junto da imagem de São Bento, a seguinte frase: Crux Sancti Patris Benedict (Cruz Santa do Pai Bento), ou, ainda, somente “Sanctus Benedictus” (São Bento).
No verso da medalha, vemos a figura da cruz de São Bento, com as seguintes inscrições:
CSPB – Crux Sancti Patris Benedicti
CSSML – Crux Sacra Sit Mihi Lux
NDSMD – Non Draco Sit Mihi Dux
VRS – Vade Retro Satana
NSMV – Nunquam Suade Mihi Vana
SMQL – Sunt Mola Quae Libas
IVB – Ipse Venana Bibas
Fonte: Vatican/Canção Nova/Santo do dia


