26 de junho de 2026
Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto…

De férias, desembarquei em Seattle, EUA, em um final de tarde frio. 11 graus. Apanhei o trem no aeroporto e 25 km depois, desci na estação Sinfonia, próxima ao hotel. Fiz check-in. Chaves nas mãos me encaminhei para o quarto. Desarrumei a mala à procura da necessaire, com os produtos de higiene. Banho tomado, dentes escovados; ao sair, a porta do banheiro veio com força. Como de hábito, escorei com o calcanhar. Na parte inferior da porta um protetor de flande, que golpeou o calcanhar, ejetando bastante sangue. Adepto do Vick Vaporub, versátil companheiro para todas as ocasiões, passei-o no corte, estancando o sangue. O entusiasmo do andarilho superava a dor. O corte carecia de pontos. Não prestei atenção no talho profundo. Coisa insana.
Jantei no hotel e saí pelas cercanias, pisando com dificuldade. Nos dias seguintes caminhei pela cidade, como turista ávido por novidades. Repouso, zero. Visitei museus, andei de barco na baía que abraça a cidade. Fiz city tour caminhando por pontos turísticos. Sempre com muita dor.
Retornei para o Brasil, com stop over de dez horas em Orlando. Novas andanças.
Voos longos, conexões demoradas, finalmente desembarquei em São Luís.
Ao chegar em casa, após dores lancinantes, procurei um ortopedista que atestou fratura de um osso do calcanhar. Receitado, comprei os fármacos prescritos e continuei minha lida.
Quando precisei ir ao consultório médico, já pronto para sair, recebi a ligação de um dileto amigo, perguntando se carecia de ajuda. Disse que tinha hora marcada com o ortopedista. Perguntou como estava, narrei o ocorrido e ele prontificou-se em levar ao hospital, poupando-me de mais esforços.
O amigo Rinaldo, poeta em tempo integral, generoso por vocação e formação, levou-me ao hospital, esperando-me, calmamente, por três longas horas. Na saída, fomos à sua casa, onde uma mesa farta, preparada por ele, aguardava-me. Pecuarista,a carne do gado curraleiro pé duro, de sua cria, harmonizava com legumes e queijo, reforçando seu lado de chef dedicado.
Coisa boa é ter atenção, carinho, gentileza e generosidade de um amigo. Coisa de qualidade é ter alguém que disponibiliza seu tempo em cuidar do outro.
Caro leitor, amiga leitora, caso encontre um amigo, guarde-o. Os amigos, a sério, são pérolas verdadeiras, que só encontramos em conchas raras, daquelas que só o coração consegue abrir. Se encontrares alguém que torça por ti, que vibre com a tua felicidade, que esteja sempre pronto para te ouvir e ajudar, guarde essa bênção. Não há tesouro maior. Se encontrares alguém que pule de alegria quando vences um obstáculo, que grite bem alto, achaste um amigo. Caso tenhas quem bata palmas com teu sucesso e que seja sempre a tua claque incondicional, agradeça. Não há maior riqueza que um amigo.
Artista, o poeta Rinaldo, fã de Vincent Van Gogh, cito o que o pintor holandês escreveu no livro “Cartas a Théo”, o irmão:
(…) Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais luz e nos tornaremos mais fortes”.
A amizade não se faz, se conquista! Uma amizade não é uma coleção de segredos, e sim uma cumplicidade! Uma amizade não são só palavras, e sim gestos! A verdadeira amizade é a amizade fraterna! A amizade é a melhor coisa que a vida pode nos proporcionar! Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto…
Bem-aventurado todo aquele que tem um amigo de verdade. Obrigado, amigo poeta.
Jornalista, escritor e globetrotter
Autor do livro “Das muletas fiz asas”
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva


