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Novas políticas habitacionais são desafios

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Cidade do lixo

Um retrato do descaso em Manaus

Lamentavelmente, vão longe os tempos em que Manaus era decantada como um exemplo de natureza exuberante e riqueza cultural. Hoje, em pleno século XXI, a outrora “Cidade Sorriso” sofre com um problema que, vale ressaltar, persiste há décadas: o acúmulo de lixo nas ruas.

Recentemente, uma leitora do Portal ÚNICO expôs essa realidade por meio de fotografias tiradas nas imediações do Viaduto Miguel Arraes, situado em uma área considerada nobre, na confluência entre as avenidas Mário Ypiranga e Djalma Batista, na Zona Centro-Sul.

Segundo a denúncia, o lixo vem se acumulando há dias nas calçadas próximas e debaixo de árvores, transformando a paisagem urbana em um verdadeiro cenário de descaso ambiental.

Com certeza, essa não é uma situação isolada. Outros arcos de concreto, como o Viaduto de Flores, também se tornaram pontos críticos de acumulação de resíduos, criando um ambiente propício para a proliferação de pragas como moscas, baratas, mosquitos e ratos que enfeiam e embrutecem a paisagem urbana misturados a pobres mendigos abandonados à própria sorte.

Em mensagens via aplicativo Whatsapp, moradores do Parque Dez de Novembro protestam, a um só tempo, contra o lixo e a onda de insegurança que aterroriza áreas como a tradicional Rua do Comércio e o entorno do Centro Social urbano (CSU). Assaltos à mão armada e ataques a mulheres são comuns, sobretudo à noite. Em Manaus, o lixo é irmão da insegurança.

Os problemas da capital, com relação ao lixo, incomodam o bom senso e desafiam o poder público. O acúmulo de lixo representa mais que um risco à saúde pública, atraindo vetores de doenças e podendo contaminar o solo e as águas subterrâneas.

Além disso, a presença de lixo nas ruas e praças afeta negativamente a qualidade de vida dos moradores e visitantes da cidade, prejudicando o turismo e a imagem da capital como um polo econômico e cultural.

Pré-campanha eleitoral

Em tempos de pré-campanha eleitoral, espera-se que as autoridades competentes ajam com força para resolver o problema, e não basta apenas os pré-candidatos se preocuparem com a questão do lixo urbano.

Na verdade, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e os órgãos ambientais, já neste momento em que os pré-candidatos se movimentam em várias zonas da cidade, emporcalhando as ruas, devem tomar suas providências para garantir que a cidade seja adequadamente limpa e preservada.

Depois das convenções partidárias, quando exércitos de candidatos e cabos eleitorais se assanharem em todos os quadrantes da capital, a situação ficará pior se o problema não for enfrentado desde agora.

Embora pareça chato e repetitivo, é importante chamar a atenção para a falta de implementação de políticas eficazes de coleta, reciclagem e tratamento de resíduos, bem como a realização de campanhas educativas para conscientizar a população sobre a importância da destinação correta do lixo.

Além disso, é necessário investir em infraestrutura urbana, como contêineres de lixo adequados e pontos de coleta seletiva, para evitar o despejo ilegal de resíduos nas ruas. Dizer que o poder público cumpre esse mister é pura ficção. No máximo, faz arremedos.

Não se pode tolerar o descaso com o meio ambiente e a saúde pública em Manaus. Nossa desumana cidade merece ser limpa, organizada e sustentável, onde todos possam viver com dignidade e respeito ao meio ambiente. É preciso agir. O futuro de nossa cidade depende disso, de ação com vontade política.


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