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23 de maio de 2022
Política – o poder exercido com justiça

Coluna:

Por: Antônio Queiroz

Política – o poder exercido com justiça

Antônio Queiroz

Está na moda descrever a política hoje em dia como um covil. Para muitos ela se tornou nada mais do que um espetáculo vulgar de engano, ambição e oportunismo. A confiança em nossas instituições e líderes políticos nunca foi tão baixa e há muitas gerações os políticos não são tão menosprezados. A raiva e a desilusão dos eleitores estão crescendo a um ritmo alarmante. Distraídos por todas as disputas indecorosas da política, acabamos permitindo que mercados e burocratas tomem decisões por nós, deixando os cidadãos resignados e alienados da política, como sempre. É muito difícil imaginar que ideias, muito menos ideias, possam ter algum papel nisso tudo.
Mas a política sempre foi uma área bagunçada, governada mais por conveniência a ser do que por ideias e princípios elevados, por mais que seja a retórica em relação a estes últimos.
Geralmente um jogo difícil e desagradável, um “Game of Thrones”, dominado por interesses, emoções, riqueza e poderes conflitantes. Na maioria das vezes, não passa de um negócio sujo e baixo, um “pântano fedorento”, nas palavras de um político britânico do século XIX (o primeiro ministro Lord Rosebery).
Tão vergonhosa são as manobras políticas que elas costumam ser conduzidas a portas fechadas, nenhuma pessoa decente como se diz, desejará ver salsichas ou leis sendo fritas. Essa visão comum da política é parcialmente verdadeira, mas não representa toda a verdade. Talvez mais do que em outra arena, a política mostra os humanos no seu pior e no seu melhor. Estamos todos muito familiarizados agora com o pior. Na melhor das hipóteses, a política pode ser “uma grande e civilizatória atividade humana”, como o teórico político Bernard Crick descreveu em sua defesa da política. É a alternativa para o controle das pessoas pela força ou por meio de fraude. Crick está certo ao dizer que a política pode ser e tem sido usada para fins bons e declarados. A política é a arena em que o destino do nosso planeta será decidido. É por isso que, como cidadãos, temos a responsabilidade de nos envolver com a política.
Parafraseando Leon Trotsky: você pode não se importar com a política, mas a política se importa com você. Nenhum conceito é mais frequentemente associado à política do que o poder. O que mais poderia ser a política senão a arena em que se busca, se disputa e se exerce o poder? É verdade que o poder também se exerce em casa, na igreja, e nos locais de trabalho, mas o poder supremo se encontra em governos e políticas. Se os seres humanos concordassem espontaneamente sobre a nossa vida em comum, não haveria necessidade de poder, nem de política.
Alguns pensadores como Agostinho, Maquiavel,Hobbes,Nietzsche e Mao enfatizam a política do poder: Agostinho compara o governo ao crime organizado, por exemplo, enquanto Mao afirma que o poder político vem do cano de uma arma. Outros como Platão, Tomás de Aquino, Locke, Rousseau, Kant, Mill, Rawls e Nussbaum, enfatizam a política da justiça. A política, como forma de administrar as sociedades humanas, com argumentos e não por mera força, surgiu relativamente há pouco tempo na história humana e pode desaparecer no futuro.
À medida que os consumidores substituem os cidadãos e os burocratas substituem os estadistas, é possível que as sociedades humanas sejam governados no futuro, por uma combinação de mercados e agentes reguladores. Em muitos aspectos, é verdade, uma economia de mercado governada por tecnocratas seria mais organizada e eficiente do que o governo confuso, contencioso e incerto da política. Os consumidores serão mais felizes e o governo, mais previsível. Para avaliar o que podemos perder num mundo assim, seria bom começar sua jornada virando a página.

Antônio Queiroz é Acadêmico de Ciências Políticas da Faculdade Estácio

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