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12 de junho de 2026

Crônicas do Cotidiano: “Os Últimos Dias de Pompéia”

Por Walmir de Albuquerque Barbosa.

Não fiquem zangados comigo, mas não temos nada de sério para retratar: o que temos para hoje é o festival de sandices de sempre. Mas, ao recorrer a esse título, de domínio público, não me proponho a fazer análise literária do clássico da Literatura Inglesa, escrito por Edward Bulwer-Lytton, em 1834, traduzido e reeditado em várias línguas, até hoje, por inúmeras editoras. Virou filme, logo no começo do cinema e foi refilmado diversas vezes; adaptado para o teatro, foi ópera e outros gêneros; chegou à TV em seriados; e até aos Livros em Quadrinhos. Enfim, um sucesso colossal. Certos críticos dizem que é piegas, “água com açúcar”. Não o li, mas fui assistir a uma de suas adaptações para o cinema. Não lembro de tudo, porque, nos cinemas de minha juventude, faziam-se muitas outras coisas além de ver o filme e cada um tinha um roteiro próprio, conforme as circunstâncias. A Wikipédia conta tudo para quem estiver interessado, inclusive, que o romance é fruto da imaginação do autor a partir de um quadro pintado por Karl Briullov, intitulado O Último Dia de Pompéia, exposto em Milão, retratando a erupção catastrófica do Vulcão Vesúvio, em 79 d.C. Numa resenha, na última edição da obra, pela Editora Sétimo Selo, encontrei algo que me interessou: “os últimos dias de Pompéia revelam um mosaico vibrante de patrícios e plebeus, pagãos, judeus e cristãos. Mas quando a natureza desperta em fúria, todas as diferenças se desfazem, e cada vida se vê diante de um mesmo destino: sobreviver ou sucumbir”. Me desculpem, mas depois de tão intensa pesquisa não resisti ao chiste: isso é a cara do Brasil nesta semana de confusões, quando se espera (como em “Esperando Godot”, peça de Samuel Beckett, escrita em 1953), ardentemente, por um desfecho do “Caso Vorcaro” e seus desdobramentos na política Brasileira e nas ações do Congresso Nacional, cuja legislatura, é a mais insignificante que a República já pode reunir com a conivência do povo e, acima de tudo, vivendo os seus Últimos Dias de Pompéia, com ares de um Teatro do Absurdo!

​A semana começou com a “Marcha para Jesus”, dando palco ao candidato dos patrocinadores à Presidente da República para declarar que a eleição deste ano será uma “Batalha Espiritual”. Marcando posição, o partido do adversário faz uma Carta Aberta pedindo apoio à contraparte da mesma facção religiosa; um Prefeito Adventista, no Norte, tenta apascentar Católicos, em pleno Estado Laico. O Presidente do TSE concede uma Liminar mandando tirar do ar, do papel, da TV e da internet a pesquisa de opinião com resultado desfavorável ao candidato que perdeu pontos por fazer uma visita à prisioneiro da justiça. E, num ato de loucura, Presidentes das casas do Parlamento acionam contra o Governo as pautas-bombas, projetos de interesse dos mais tenebrosos lobbies: o lobby das armas, do agronegócio, do tal conservadorismo cristão, da turma “do mercado” associada aos grupos de lavagem de dinheiro; em ato nojento, edita Decreto Legislativo que condena as meninas abusadas por estupradores a se sujeitarem aos humores dos que devem delas cuidar em caso de aborto consentido por lei. E, o mais cruel, colocam, junto à discussão do PL da Redução da Maioridade de 18 para 16 anos, as maldades dos genocidas de agora e de outras épocas, que defendem: castração química de apenados por crimes sexuais, prisão perpétua e, em alguns casos, pena de morte. Isso sem falar nos “jabutis” que reduziriam, juntos com a menoridade penal, a idade para candidaturas à Presidência da República, ao Governo dos Estados e ao Senado, beneficiando “parças” e filhos, que não podem ser candidatos devido a sua menoridade.

​Será que desta vez Godot virá? Ou teremos mais uma erupção do Vesúvio, em terras brasileiras?! Se for a erupção vulcânica, certamente, ao escavarem as cinzas da Nova Pompéia, dois mil anos depois, encontrarão malas de dinheiro escondidas em armários; uma Sala de Cinema vazia, com o projetor pronto para exibir o filme “A Saga do Cavalo Manco” e, na tela de projeção, como um afresco, ainda se lê: “Filme Financiado pelos Fundos de Previdência”. E, na Praça dos Três Poderes, ante a um imenso telão, petrificados, gente do povo, que assistia à recepção nazifascista das delegações da Copa do Mundo sendo revistadas pelo ICE, nos EUA. Os demais fugiram!

Jornalista Profissional. Manaus, 12/06/2026. Texto produzido para livre circulação, desde que respeitadas a autoria e a integridade dele.

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