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Cidades e comunidades sustentáveis

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Bioplástico: desafios e oportunidades

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O bioplástico é um produto fabricado a partir de matéria-prima renovável composto por sobras vegetais da indústria canavieira, restos de soja, milho, batata, beterraba, casca de banana e amido de arroz. Representa apenas 1% das milhões de toneladas de plásticos produzidas no planeta.

O bioplástico foi criado em 1926 pelo pesquisador francês, Maurice Lemoine (que fez o estudo usando bactérias bacillus megaterium). Sua descoberta foi ignorada por décadas pois concorria com os produtos derivados do petróleo que apresentavam baixo custo. Somente a partir da década de 1970 passou a ser uma opção mercadológica em função da crise do petróleo (Compostos).

O bioplástico é um produto sustentável com baixo impacto ambiental e tem a potencialidade de capturar CO². É um produto que necessita de aproximadamente 18 semanas para se decompor enquanto o derivado do petróleo demora de 300 a 500 anos (Merchan Plásticos).

O Brasil é um dos maiores fabricantes do produto devido à abundância de biomassa. O custo de fabricação se aproxima do valor do produto derivado do petróleo e usa o mesmo maquinário do plástico comum. Assim, o que realmente o difere do convencional é o insumo que por ser de origem renovável ajuda a reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Como tem produção a partir de matérias-primas variáveis, produzem inúmeros tipos de bioplásticos, com destaque para: Polímeros de amido – de milho, batata ou mandioca (usados em sacolas); Polilactatos – ácidos lácteos (usados em embalagens) e Polihidroxialcanoato – criado com a finalidade de uso na Medicina e são usados em próteses e fios de sutura (Merchan Plásticos).

Entre as vantagens do uso e da produção do bioplástico, temos: usa 65% menos energia na sua produção; possibilita a redução da emissão de gases de efeito estufa; impacta menos sobre o meio ambiente no seu descarte; apresenta uma produção com melhor relação custo-benefício (Merchan Plásticos).

O uso do bioplástico no processo industrial torna a indústria mais sustentável. No Polo Industrial de Manaus, o destaque é para a primeira cadeia estruturada de produção de bioplástico a partir das cascas da castanha-do-Brasil ou castanha-do-Pará. De acordo com a Fundação WTT (World Transforming Tecnologies) a produção de bioplástico na Amazônia poderá resultar em R$ 20 milhões em receitas (nos três primeiros anos) com o potencial de gerar renda de R$ 4,8 milhões para as comunidades envolvidas e redução de mais de 300 toneladas de CO2 emitido na cadeia de valor da castanha no mesmo período (PPBio e Idesam).

Na UFSCar em parceria com a EMBRAPA uma pesquisa utilizou a casca de banana para criar filmes bioplásticos com potencial de aplicação como embalagens ativas de alimentos “para cada tonelada de banana processada, podem ser gerados até 417 kg de cascas” (Agência FAPESP).

Em suma, o bioplástico é um produto reciclável que torna a indústria mais sustentável, contribui para reduzir o impacto ambiental e tem o potencial de impulsionar o crescimento econômico sustentável.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM


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