10 de dezembro de 2022
A Nova Economia do Plástico

Não podemos questionar a importância do plástico para a economia bem como para a evolução social uma vez que a sua existência possibilitou o consumo exponencial. Apesar das vantagens, o plástico constitui no maior agente causador de poluição do planeta e está presente até nos oceanos.
Em toda a cadeia produtiva, o plástico produz e emite gases do efeito estufa, e muitos cientistas apontam o consumo involuntário de microplásticos como ameaça à saúde humana nos aspectos físico, químico e biológico(Agência Senado).
A presença dos resíduos nas praias causa uma perda anual entre US$ 880 mil a US$ 8,5 milhões para o município. Impacta direta e indiretamente sobre a economia, a sociedade e o meio ambiente onde vivem as comunidades tradicionais que se utilizam da praia como modo de vida.
Em todo o mundo os plásticos matam cerca de 100 mil animais por ano, causando US$ 13 bilhões em danos. No Brasil, cada pessoa consome 1.280 embalagens anualmente(Agência Senado).
De acordo com a WWF a produção de plástico alcançou 396 milhões de toneladas (2016) e a previsão é de um aumento de 40% até 2030. Infelizmente, apenas 20% dos resíduos plásticos produzidos são destinados à reciclagem.
Sabemos dos malefícios do uso do plástico bem como os seus impactos sobre o meio ambiente e a sustentabilidade, mas não podemos ignorar que ele possibilitou e possibilita a conservação, transporte e armazenagem adequados dos alimentos e produtos desde a origem até o consumidor final.
Para evitar que o plástico vire resíduo, contamos com as mudanças na sua origem (matéria-prima) e a intensificação de ações no sentido de proporcionar uma nova maneira de projetar, utilizar e reutilizar o produto “A Nova Economia do Plástico”.
As ações direcionadas à Nova Economia do Plástico no mundo são embasadas pela Fundação Ellen MacArthur com o apoio de Eric and Wendy Schmidt Fund for Strategic Innovation. Tais iniciativas têm o propósito de estabelecer um sistema global para que os plásticos (Pacto dos Plásticos) nunca se tornem resíduos, a ação conta com mais de 450 organizações, que se propuseram a participar desse compromisso global com foco na sustentabilidade.
Por sua vez, a presença de governos e empresas no chamado Pacto dos Plásticos é fundamental, uma vez que são responsáveis por 20% da produção global de embalagens e sua adesão está embasada no compromisso de repensar seus modelos de negócios, com o propósito de elevar a reutilização, reciclagem e compostagem dos plásticos, além de promover sua transformação em novas embalagens e produtos.
Trata-se de um processo de concretização de uma nova visão que exigirá de todos um elevado nível de colaboração e contará com a ajuda dos países e das regiões. Já temos a adesão dos seguintes países: Reino Unido, França, Chile, Holanda, África do Sul, Portugal, EUA, Polônia e Canadá.
A nova economia do plástico tem potencialidade de gerar700 mil empregos a mais até 2040 e proporcionar benefícios ambientais e sociais. Estima-se que aproximadamente 10 bilhões de dólares sejam poupados, em escala global, apenas com a substituição de 20% das embalagens de uso único por alternativas reutilizáveis.
Por fim, nesta nova economia, qualquer política de substituição deve ser embasada em cálculos de custo-benefício, no cumprimento da logística reversa determinada na Política Nacional de Resíduos Sólidos em benefício do meio ambiente, da sociedade e pelo bem-estar coletivo.
O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do ÚNICO


