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21 de junho de 2026

Simão Assayag, Poeta

Os cantos populares são repositórios de memórias. As toadas de boi de Parintins são expressivas dessa poesia que dialoga com as origens, a história, a ancestralidade e os modos de ser do povo – no caso, o povo ribeirinho. Esses temas revestem as composições de Simão Assayag.

A poética do compositor está enraizada no seu chão originário. Percebe-se nas suas canções um profundo sentido de identidade e pertencimento. A toada “Bicho-homem”, parceria com Ronaldo Barbosa e Carlos Paulain, evidencia essa conexão com seu lugar: “Sou daqui dessas paragens / Parintins por te querer / (…) Sou da tribo Caprichoso…”.

A poética desse artista profundamente identificado com sua gente evoca a vida interiorana nos beiradões amazônicos, como se percebe na composição “Acalanta” (criação com Cezar Moraes): “A cunhã distraída cantando / No banho de cuia, na beira do rio”.

Estudioso das tradições do boi-bumbá, Simão é um dos responsáveis pela renovação artística e consolidação da festa dos bois de Parintins, como testemunha Ronaldo Barbosa: “Ele é sextante… Ele é um rio que veleja sem parar”.

O universo poético desse artista singular encerra uma epopeia cabocla, fundada – no lendário (“Morada dos encantados, vivenda de sabedoria”), – na ancestralidade (“… das mulheres sem marido / Da icamiaba apaixonada”), – na natureza como fonte de vida (“A selva era como um grande lar / E os filhos do sol em harmonia”). Um tema marcante na sua lírica é a religiosidade cristã: “Ave Maria, gratia plena // Nossa Senhora do Carmo / Receba a gratidão”. Outro aspecto de sua criação são as parcerias (com Chiba, Sílvio Camaleão, Neil Armstrong, Iézen Rocha, entre outros) que renderam obras memoráveis.

O canto de Simão Assayag se carateriza pelo rigor de sua linguagem e poeticidade: “Vou pintar de azul a tua casa / Botar hortênsias na janela”. Seu ser poético, entretanto, afirma-se subjetivamente pela sua profunda identificação com o boi de sua devoção: “Esse é meu boi / Meu boi valente // Ele é brioso, é de capricho, é Caprichoso”. Seu lirismo e humanidade corporificam seu verbo criativo.

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