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O uso indevido da internet Starlink pelo crime organizado

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Ziraldo: Um gigante da cultura brasileira

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Por Juscelino Taketomi

Pode-se dizer que neste sábado, 6 de abril, o Brasil, já tão pobre de bons valores humanos, ficou menor ao perder um de seus maiores tesouros culturais, Ziraldo Alves Pinto, aos 91 anos.

O criador do icônico Menino Maluquinho e autor de inúmeras outras obras que marcaram gerações de brasileiros deixa um legado inestimável para a literatura infantil e para a cultura do país.

Ziraldo era um homem de múltiplos talentos. Advogado por formação, ele transcendeu as fronteiras da profissão para se tornar um renomado cartunista, chargista, escritor, pintor, dramaturgo, cronista, apresentador e humorista. Sua versatilidade e genialidade o destacaram como uma figura emblemática no cenário artístico nacional por mais de seis décadas.

Nascido em 1932, em Caratinga, Minas Gerais, Ziraldo desde cedo demonstrou sua paixão pelo desenho e pela leitura. Seus primeiros traços foram publicados em jornais quando ele tinha apenas seis anos de idade, e desde então seu destino como um contador de histórias visualmente cativantes estava traçado.

“O Menino Maluquinho”

Sua obra mais famosa, “O Menino Maluquinho”, lançada em 1980, conquistou o coração de milhões de leitores e se tornou um verdadeiro fenômeno editorial. O personagem, com sua panela na cabeça e sua capa e espada improvisadas, representava não só a imaginação infantil, mas também a liberdade e a pureza da infância.

Além do Menino Maluquinho, Ziraldo presenteou o mundo com obras como “Flicts”, um clássico da literatura infantil que encantou gerações com sua narrativa poética e visualmente deslumbrante. Seu trabalho ultrapassou fronteiras linguísticas, sendo traduzido para diversas línguas e alcançando crianças em todo o mundo.

Uma voz contra a opressão

No entanto, o legado de Ziraldo vai além de suas criações literárias. Ele foi uma voz ativa na resistência à ditadura militar no Brasil, utilizando seu talento como cartunista e chargista para denunciar as injustiças e defender a democracia.

Uma das estrelas do irreverente O Pasquim, Ziraldo sofreu perseguições, foi preso e enfrentou desafios, mas nunca se calou diante da opressão.

Seu engajamento político não apenas marcou sua trajetória, mas também inspirou outros artistas e ativistas a lutarem por um país mais justo e igualitário. Ziraldo não apenas contava histórias, mas também fazia história com sua coragem e determinação.

A morte do grande cartunista deixa um vazio na cultura brasileira, mas seu legado permanecerá vivo nas páginas de seus livros, nas mentes e nos corações daqueles que foram tocados por suas histórias.

Ele será lembrado não apenas como o pai do Menino Maluquinho, mas como um verdadeiro gênio criativo que enriqueceu o patrimônio cultural do Brasil e deixou um exemplo de coragem, paixão e comprometimento com a arte e com a justiça.

Que seu legado continue inspirando as futuras gerações a sonhar, criar e lutar por um mundo melhor. Obrigado, Ziraldo.


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