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Zé Ricardo integra comissão que vai investigar crimes contra Yanomamis

Congresso Nacional começa a apurar denúncias a partir da próxima semana

Indígenas acusam invasores de violência, estupro e morte contra os aldeados

O deputado federal Zé Ricardo (PT/AM) vai integrar a delegação mista do Congresso Nacional que vai apurar denúncias de invasão e violência contra os povos Yanomami, espalhados na divisa entre o Amazonas e Roraima e na fronteira com a Venezuela.
As diligências serão feitas pelas Comissões de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia (Cindra), de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, de Direitos Humanos do Senado Federal e Comissão Externa criada recentemente para acompanhar a situação dos Yanomamis, tendo Zé Ricardo como um dos membros. E essas diligências acontecerão na próxima semana, a partir do dia 11 de maio.

Denúncias

Como vice-coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, Zé Ricardo destaca que o Congresso precisa acompanhar as medidas adotadas pelas autoridades acerca da situação da comunidade Yanomami. “É muita violência, mortes e desaparecimentos, sobretudo, de crianças nessa área. Algo precisa ser feito com urgência para acabar com tanta violação de direitos, que já deviam estar sendo resguardados pela liminar do STF, desde o ano passado”, declarou ele,

Um ano de espera

Em maio de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu liminar determinando à União a adoção imediata de todas as medidas necessárias à proteção da vida, da saúde e da segurança das populações indígenas que habitam as Terras Indígenas (Tis) Yanomami e Mundurucu, diante da ameaça de ataques violentos e da presença de invasores, devendo destacar todo o efetivo necessário a tal fim e permanecer no local enquanto presente tal risco.
Em diligência realizada recentemente pelo Ministério Público Federal (MPF) identificou-se “ampla ocupação do território indígena por garimpos ilegais na região”, “grande pressão social impingida pelo garimpo localizado a 300 metros distante da comunidade e espalhados por toda a região: aliciam os indígenas para o trabalho de mineração ilegal, introduzem elementos exógenos a sua cultura (notadamente produtos industrializados), interrompem a prestação do serviço de saúde e, conforme relatos da comunidade, estabelecem relações violentas com as mulheres indígenas”.

Ataque armado

No ano passado, em maio, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) denunciou ataque armado de garimpeiros, que teria resultado na morte por afogamento de duas crianças. Já em agosto de 2021, foi denunciado atropelamento de jovem Yanomami por avião utilizado no garimpo ilegal, na Comunidade de Homoxi. E, em outubro de 2021, duas crianças indígenas teriam morrido afogadas após serem sugadas por uma “draga de garimpo” e jogadas no meio do rio Uraricoera, onde teriam sido levadas pela correnteza. Como também, nos últimos dias, a comunidade denunciou a morte de uma criança após estupro, e o desaparecimento de outra.

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