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O imaginário e as ideologias

Por: Walmir de Albuquerque Barbosa

Professor Emérito da UFAM; Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP); Graduado em Jornalismo pela UFAM.

Viva Luana Piovani!

“O mar quando quebra na praia,/ é bonito, é bonito!” Ah, Dorival Caymmi, você nem imagina como
as coisas estão por aqui! Pois não é que uma “gangue” está conspirando para roubar um direito que o
bom Deus nos deu e, se isso passar da forma que está, adeus à rede atada entre dois coqueiros, à brisa,
à zoada das ondas quebrando na praia, às jangadas saindo e chegando, e ao horizonte bem longe,
longe da formação de corais! Como seres humanos podem apoderar-se do que não é seu de uma forma
tão descarada, tão vil e, por cima de tudo, ainda dar um ar de legalidade à usurpação desonrando o
voto recebido e o Parlamento? E, ainda, macular a Constituição, onde está expresso o nosso inviolável
“direito de ir e vir”, seja nas praias, nos rios ou nas ruas. Vilania e sordidez são os qualificativos para
a ação desses atores vorazes por lucro, vorazes por tudo. Definitivamente, agem como canalhas e na
contramão dos interesses coletivos nacionais e universais.

Mas tudo aconteceu à sorrelfa, como toda safadeza que encontra um bom caminho para
prosperar. Passou caladinha na Câmara e seguiu seu caminho. Foi numa semana plácida, com feriadão
e tudo que emergiu no Senado. Todos estavam muito cansados da luta da semana anterior, quando
houve um esforço concentrado da nossa “valorosa imprensa” para tocar o terror sobre o futuro da
economia. Os grandes jornais e os conglomerados de telecomunicação abriram as suas comportas
para os “bocudos do mercado” fazerem as suas sombrias “previsões”. O Presidente do Banco
Central inaugurou o discurso de fracasso das metas do governo e o fez da forma mais imprópria
possível, em fóruns internacionais. Um batalhão de economistas a serviço da elite financeira
encarregou-se por todos os meios de desmoralizar as ações da equipe econômica, tudo porque têm
dois objetivos bem claros: impedir que o governo, fortalecido por bons resultados, indique um nome
que desagrade ao mercado para dirigir o Banco Central, com o fim do mandato do atual gestor; de
mais imediato, precisam criar as condições de desconfiança junto aos investidores para que a Selic,
que indica a taxa dos juros, permaneça alta atendendo aos banqueiros que se locupletam com os juros
na rolagem da dívida pública. A catástrofe climática no Rio Grande do Sul e a politização dos seus
efeitos; as derrotas da base governista no Congresso Nacional na derrubada de vetos; e pesquisas de
opinião com perguntas ardilosamente fabricadas para confirmar verdades desejadas e propaladas ad
nauseam na mídia, formavam um cenário perfeito para o cheque mate. Falava-se até numa desejável
mudança ministerial para aproximar o governo do mercado. Tudo parecia perfeito, mas os resultados
dos órgãos de estado foram saindo e desmentindo os falaciosos áulicos do mercado: os empregos com
carteira assinada aumentaram, a inflação não rompeu os níveis da meta e o Produto Interno Bruto
(PIB) cresceu! E agora? Correndo atrás do prejuízo, meteram a viola no saco e foram programar nova
investida. Enquanto isso….os meninos do mal, quase na surdina, conseguiram pautar a votação, no
Senado, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que pode abrir caminho à “privatização” das
áreas de marinha, que abrangem toda a costa marítima, que hoje pertencem à união, e atribuídas à
Marinha Brasileira para guarda, proteção e gestão, passando-as para os municípios e Estados, que
darão a destinação que lhes aprouver.

Coube à atriz Luana Piovani denunciar nas redes sociais os agentes por trás das artimanhas
para a “privatização” das praias brasileiras e as negociatas das Arábias e outros fundos soberanos,
empreiteiros nacionais, banqueiros, políticos e a máquina da jogatina, que espera ansiosa para tirar
os panos que cobrem as roletas dos cassinos, ainda não permitidos no Brasil. Brava Piovani! Mesmo
ameaçada de ter a “boca fechada com um sapato”, alertou o povo brasileiro para o golpe iminente. E,
de quebra, mostrou a face cruel de seus detratores: machistas, misóginos, pessoas sem nenhum
sentimento pelo país que dizem defender. A notícia correu toda a costa do Brasil, o beiradão dos
grandes rios internacionais e dizem que até em Minas Gerais, onde não há praias, a indignação ganhou
força e o “bagulho”, na forma de PEC, virou um problema para os pais da ideia, que tem cara, voz e
origem bem conhecidas!


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