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Uxi-amarelo vira remédio em laboratório suíço e volta valendo mais que o ouro

Cientista diz que o Brasil não sabe aproveitar sua biodiversidade

Planta amazônica é beneficiada na Suíça e depois revendida como anti inflamatório

O físico Luiz Davidovich, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC) acredita que ainda é possível fazer do Brasil um grande exportador de novos fármacos (remédios). Basta que se tome a iniciativa de produzir aqui o que é produzido em outros países, a partir das matérias primas brasileiras. Defendendo esse ponto de vista em entrevista ao Estadão, nesta quinta-feira (12) Davidovich revelou: o uxi-amarelo, planta da amazônia, vai para um laboratório suíço e volta na forma de remédio anti inflamatório, custando mais que o ouro.
“Veja o caso da bergenina, um glicosídeo com poder anti-inflamatório e antioxidante presente no fruto e no caule do uxi-amarelo, uma planta medicinal amazônica. Quem se apropriou dela foi o laboratório suíço Merck, que purifica, extrai o princípio ativo e vende para nós”, disse o professor.

Mais que o ouro

Segundo o professor, “o preço por miligrama é mais de 4 mil vezes o preço (da grama) do ouro”. Para Davidovich o “ouro” do Brasil é outro. É a biodiversidade. “Nosso ouro é a nossa biodiversidade. Entendeu como o desenvolvimento sustentável é muito mais rentável do que a devastação? Mais um exemplo: já tem cultivo do açaí na Amazônia, que requer a existência da floresta. E o valor por hectare de açaí é oito vezes o ganho por hectare da pecuária”, esclareceu.

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