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A reunião do TRE-AM e os critérios para a realização de pesquisas eleitorais no Amazonas

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Usem máscaras, por favor! Todos a postos para a nova temporada de queimadas sob um céu de fuligem

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Por Juscelino Taketomi

E lá vem ele de novo, com sua garoa de fuligem, o famigerado fumaceiro. Manaus, nossa tão querida capital amazônica, já começa a sentir os primeiros bafos do inferno que se aproxima. É tempo de preparar as máscaras, porque o espetáculo das queimadas está prestes a estrear sua nova temporada.

Dizem os especialistas, aqueles que estudam números e fenômenos climáticos, que estamos no olho do furacão de El Niño. A seca nos espreita, como um gato preguiçoso esperando para saltar sobre um rato. E o pobre Pantanal, que já arde mais do que as festas de São João, está 11 vezes mais quente que o habitual. Já imaginaram? É o próprio “Caldeirão do Diabo” se materializando em terras brasileiras.

E por falar em “Caldeirão do Diabo”, que ano foi aquele de 2023! Manaus, encoberta por uma nuvem de fumaça, viveu dias de horror respiratório. Respirar, um ato tão simples, tornou-se um desafio épico. Os números do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) não nos deixam mentir: outubro daquele ano foi um recorde macabro com 3.858 focos de queimadas. E para quem pensava que era obra de Belém do Pará, fica a constatação: não, o problema estava em nosso próprio quintal.

Mas não se preocupem, o Poder Público está tomando medidas. Que alívio! Eureca ! Agora vai! O governo anunciou aos quatro ventos a contratação de mais de dois mil brigadistas, a criação de uma “sala de situação” e o uso intensivo de imagens de satélite.

Aqui não é o Leste Europeu, mas…

Aqui não é o Leste Europeu e tampouco o Lula é o Vladimir Putin ou o Zelensky dos trópicos, mas parece que estamos numa guerra, e de certa forma, estamos mesmo. Uma guerra contra o descaso e a irresponsabilidade.

Enquanto isso, aqui em Manaus, o mal cheiro já se espalha pela Zona Norte. Os moradores, sufocados pelo ar pesado, recorrem ao velho truque das máscaras. Quem diria que a moda da pandemia voltaria com força total, e agora por um motivo bem diferente.

E ao mesmo tempo em que o governo promete e a fumaça cresce, a população se vira como pode. Máscaras N95 viraram artigo de primeira necessidade. Beber água, dizem os médicos, ajuda a manter as vias respiratórias hidratadas. E aos primeiros sinais de tosse ou dificuldade para respirar, lá vamos nós, lotando os postos de saúde e enchendo os hospitais, inclusive os seus corredores.

E o que dizer das políticas públicas? Elas deveriam ser a solução, mas parece que estão sempre um passo atrás. Restauração de áreas degradadas, manejo florestal responsável, tudo isso soa tão bonito no papel, mas na prática, a inércia reina.

Nosso amado governo Lula, sempre tão diligente, já deveria estar articulando parcerias internacionais, captando recursos e know-how para enfrentar essa calamidade ambiental. Mas, enquanto Marina Silva e seus colegas parecem dançar uma valsa lenta, a floresta queima e a população sufoca.

Por isso, caros irmãos manauenses, preparem-se. Usem máscaras, bebam muita água e rezem, se isso lhes conforta. Porque confiar cegamente no Poder Público, isso sim é um perigo real. E ao tempo em que a sociedade se ajeita, tentando sobreviver a mais uma temporada de fumaça, vamos torcendo para que um dia, quem sabe, as promessas virem realidade e o céu de Manaus volte a ser azul.


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