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A importância das hidrovias

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Uma Amazônia de oportunidades

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O modelo de crescimento amazônico nas últimas décadas impactou de forma negativa o meio ambiente ao mesmo tempo que contribuiu para o favorecimento de práticas ilegais pautadas na violência e criminalidade. Tal modelo, além de desestimular a busca por novas matrizes econômicas regionais também expôs as populações locais à insegurança e à vulnerabilidade.


A partir da agregação de leituras chegamos à conclusão de que não temos uma única Amazônia, e sim, uma região heterogênea constituída por “várias amazônias” com potencialidades e desafios distintos bem como a presença de diferentes padrões de ocupação humana e uso da terra.


Quando falamos de “economia da floresta” a proposta é de substituir o modelo atual com práticas exploratórias e fazer uma transição para um mais produtivo e que concilie lucro com a preservação ambiental.


Para tanto, a economia da floresta deverá ser capaz de gerar produtos e serviços ambientais, melhorar as condições de vida da população que vive na floresta oportunizando a geração de emprego e renda para os amazônidas.


Assim, ao invés de desmatar e degradar o foco deve ser restaurar e reflorestar: a recuperação de paisagens e floresta contribui para a recomposição da função ecológica e produtiva das áreas degradadas.


Ponto relevante nesta discussão é a necessidade do fortalecimento de empreendimentos socioambientais com foco na superação dos problemas sociais, econômicos e ambientais. Tais empreendimentos, tem o potencial de se transformarem em agentes indutores do desenvolvimento sustentável.


Outra proposta aqui pautada são as atividades agroflorestais que constituem numa forma de uso e ocupação do solo onde árvores são plantadas ou manejadas em associação com culturas agrícolas ou forrageiras, garantindo a melhora nos aspectos ambientais bem como na produção de alimentos.
Um último destaque para esta “Amazônia de oportunidades” é a “bioeconomia amazônica” que compreende toda atividade econômica derivada de bioprocessos e bioprodutos contribuindo para soluções eficientes no uso de recursos biológicos – frente aos desafios em alimentação, produtos químicos, materiais, produção de energia, saúde, serviços ambientais e proteção ambiental com potencialidade para promover a transição para um novo modelo de desenvolvimento sustentável e em-estar social (CGEE-ODBio, 2020).


O que realmente temos certeza é de que o cenário amazônico demanda novos modelos de desenvolvimento, mais sustentáveis, menos desiguais e mais inclusivos com foco nas pessoas e no planeta.


O Brasil através da biodiversidade amazônica tem uma oportunidade única de transformar as vantagens comparativas em vantagens competitivas: liderança nos novos segmentos bioeconômicos, competitividade no uso e transformação dos recursos da biomassa e inserção em mercados internacionais.


Por fim, apesar de muito otimismo, ainda temos mais indagações do que respostas, entre elas: Quais são as capacidades e as competências brasileiras em bioeconomia que podem impulsionar o seu desenvolvimento? E, quais os desafios a serem superados?


Qual sua Opinião?

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