PRIMEIRA MÃO

Um presente para Manaus

O encontro das águas e a faixa de terra do mirante ao fundo. No detalhe, o atual Mirante da Embratel, local onde será construído o memorial

memorial do Encontro das águas recebe apoio social e político

Falta de tombamento privado ameaçam a obra

Ao completar 352 anos, Manaus vive a expectativa de ganhar um grande presente nos próximos anos. Trata-se do Memorial Encontro das Águas, um projeto arquitetônico acalentado há 16 anos, que vai oferecer à população e aos visitantes uma vista privilegiada do encontro das águas dos rios Solimões e Negro, a partir da terra seca. O prefeito David Almeida (Avante) anunciou o resgate desse projeto no início de outubro e, antes de sair do papel, está agregando apoiadores e sugestões entre movimentos políticos e sociais. A previsão é que ele fique pronto em 2023.

Incremento ao turismo

Esse tipo de empreendimento, voltado ao turismo sustentável, é valorizado em qualquer região do planeta. Países que investem com força no turismo, como Dubai e Estados Unidos, por exemplo, colhem excelentes resultados na exploração dos recursos naturais.
No Brasil, um estudo recém concluído pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) concluiu que somente o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, movimenta cerca de R$ 1,4 bilhão por ano e geral pelo menos 21.393 empregos diretos e indiretos, em 68 setores da economia.
Guardadas as devidas proporções, Manaus também pode aquecer a rede hoteleira, restaurantes, serviços de transporte e outros, a partir do turismo consciente de frente para o Encontro das Águas.

Maquete inicial do projeto do memorial

Estudos iniciais

Antecipando-se, o deputado federal Zé Ricardo (PT-AM), marcou uma Audiência Pública na Câmara Federal para discutir a homologação do tombamento da área como patrimônio histórico, o primeiro passo para viabilizar a obra anunciada pelo prefeito David. “Queremos entender os impactos que uma obra desse porte terá e conhecer estudos de especialistas que podem ajudar na tomada de decisão sobre os rumos da obra aquitetônica”, apontou.
“É bom lembrar também que esse é um espaço de turismo ambiental, onde você garante que no entorno não será construído nada e nem implantadas atividades que possam desfigurar esse espaço natural”, destacou o petista.
Para Zé Ricardo, a construção do Porto das Lajes bem em frente ao fenômeno do Encontro das Águas é um dos principais problemas do projeto: “O encontro das águas é um dos cartões postais de Manaus. Amanhã, se a área estiver cheia de cargueiros movimentando mercadorias ou fundeados, tudo será desfigurado”, alertou.

Parque em vez de memorial

O movimento SOS Encontro das Águas também quer contribuir com o projeto anunciado pelo prefeito David Almeida. Um de seus representantes mais destacados, o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Ademir Ramos, acredita que o espaço tem potencial para mais que um simples mirante ou memorial.
“Nós temos que pensar no modelo de um parque porque, em se tratando do paisagismo, sítio arqueológico, da beleza do encontro das águas, do aspecto etnográfico e da memória étnica, tudo isso está no encontro das águas. Então se tratando de toda essa riqueza cultural, o encontro das águas é um parque cultural, é isso que devemos ter clareza” explicou o professor.

Uma das estruturas do memorial será uma oca estilizada

Tombamento do patrimônio

O movimento SOS Encontro das Águas está na defesa desse patrimônio natural há mais de dez anos, quando foi conseguido o tombamento da área pleiteada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Ele vai participar da Audiência Pública solicitada por Zé Ricardo e espera que, finalmente, essa questão seja decidida. Sem tombamento de local histórico, o porto privado de cargas ganha águas tranquilas para ser construído.

Em planejamento

Em contato com o ÚNICO, a assessoria do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) apontou que ainda não há detalhes sobre o memorial e que os técnicos ainda estão procedendo a levantamentos para elaborar um projeto.


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