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Na vida tudo é arte

Por: Luiz Thadeu Nunes de Silva

Engenheiro agrônomo e viajante do mundo

Um ilhéu apaixonado pela Ilha do Amor

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Sou ilhéu, nascido na Ilha do Amor. Assim me apresento por onde ando. Não gosto do ludovicense, acho formal.


Tenho encantamento pela cidade em que nasci, São Luís do Maranhão. Para mim, um privilégio viver em um lugar tão fascinante, rico em cultura, folclore, diversidade, e com a melhor culinária do mundo. Terra de magia e encantos. Onde se acha o melhor sorvete de coco? E, caranguejo no toc toc? Arroz de cuxá com torta de camarão? Só aqui, na Ilha do Amor.


Moro na Ilha de Upaon-Açu, banhada pelo oceano Atlântico. Patrimônio Cultural da Humanidade. Aqui me criei, estudei, me formei, constitui família, criei meus filhos.


Tive a oportunidade de andar pelo mundo, viajei pelos mais distantes e longíquos lugares da terra. Pisei em todos os continentes, com exceção da Antártida. Já estive, a passeio, em 151 países dos 194 que fazem parte da ONU. A meta é conhecer todos. Com minhas andanças pelo mundo, tornei-me o latino americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida.


Faço esse preâmbulo para dizer que o mundo é meu quintal, São Luís é a minha casa. É aqui que estão minhas raizes, meus amigos, meus amores. Aqui está a minha identidade, minha história. Mesmo com a cidade ultrapassando um milhão de habitantes, ainda esbarro em conhecidos, nos mais diferentes lugares dessa linda e caliente ilha.


Em andanças pelo mundo, meus olhos viram coisas belas, grandiosas, encantadoras. Mas tudo que vi era deles, dos povos que visitei. Nada me deslumbrou. Sempre que retorno, -só desembarcar em São Luís, respirar o ar, vejo que aqui é o meu lugar.


“Então quer dizer que São Luís é um lugar perfeito?”, Alguém pode me perguntar. “Não”, estamos muito longe disso. Temos problemas seculares e urgentes que precisam ser resolvidos, para melhor vivermos e usufruirmos de nossa bela ilha. Acredito que precisamos mudar com urgência o olhar para com nossa cidade.


Os moradores de São Luís precisam cuidar melhor da cidade. Temos que nos conscientizar que vandalismo custa dinheiro para consertar. Temos que preservar nossos sítios históricos, nossas praças; fazer calçadas, limpar as portas das casas; ter onde armazenar o lixo e descartar nos locais apropriados. Cuidar de nossa segurança, não precisamos nos transformar em uma cidade violenta. Somos de uma terra serena, acolhedora, aprazível, de homens e mulheres de boa índole. Nossas praias precisam ser despoluídas. Enfim, uma mudança de olhar coletivo, para com a cidade. São Luís tem pouco verde, é urgente plantamos árvores. Precisamos de ações forte do poder público para seguirmos em frente. Que nossos gestores tenham compromisso de longo prazo com a cidade.


Convidado pelo governador Carlos Brandão, hoje faço parte da equipe da Secretaria de Turismo do Estado, e com os olhos de gestor público, o desafio é tornar nossa cidade mais acessível a todos. Melhorando a acessibilidade dos que moram aqui, assim atrairemos turistas de todas as partes.
Precisamos resgatar coisas que fazem parte de nossa história. Nosso centro histórico, com seus casarios precisam ser melhor utilizados, para não se transformarem em cortiços; deteriorados pela ação do tempo e por nossa omissão.


A Setur funciona em um dos cartões postais de São Luís, a praça Pedro II, no centro histórico. Moro do outro lado da ponte do São Francisco. Todos os dia, quando saio de casa, atravesso os 890 m da ponte; ao chegar na beira-mar é como tivesse entrando num túnel do tempo. Deixei o novo para trás e faço uma imersão no passado. A nostalgia do tempo paira no ar.


Assistir o entardecer de mais um dia, na rampa Campos Melo, em frente ao deslumbrante Palácio dos Leões, quando o sol desaparece do horizonte, ocultando-se no mar, é maravilhoso.
Cidades são organismos vivos, São Luís precisa de planejamento, amor e respeito. Cabe a cada um de nós fazermos nossa parte.


Parabéns minha velha e amada São Luís pelos seus primeiros 411 anos.


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