Colunista
Transplante no Amazonas – Parte 07

Por: Fabiano Affonso

professor, engenheiro agrônomo, pós graduado em comunicação e metodologia da extensão rural, especialista em projetos de reforma agrária e especialista em política e estratégia, autor da cartilha “Latifúndio na Amazônia”.

Transplante no Amazonas – Parte 07

De volta a enfermaria, o difícil retorno à normalidade com sonda nasogástrica, sonda na bexiga e acesso subclavicular. As dificuldades eram imensas, mas sempre com otimismo e fé em Deus, acreditava na vitória por vir.

Nas mãos da equipe da Dra. Kellen Marques comecei a evoluir e poucos dias depois foi retirada a sonda da bexiga. Uma vitória! Porém a bexiga estava atrofiada e formava o bexigoma, dessa forma, surgiu a recomendação de sonda de alívio (que de alívio não tem nada).

Consiste na introdução de um cateter de 30cm pela ureter para drenar a urina que se espalhava no abdômen, recomendação de 6 em 6 horas, era um momento de muita ansiedade, aflição e dor mesmo usando anestésico tópico tipo xilocaína, a introdução da mesma na uretra quando transponha a altura da próstata, a dor era dilacerante, mas antes mesmo da bexiga já começava a drenar a urina excessiva fora da bexiga.

E assim se passaram os dias, até que a Dra. Rebeca Mubarac explicou a fisiologia e exemplificou que a bexiga normal é do tamanho de um melão e como eu estava há 3 anos sem urinar, a bexiga estava do tamanho de uma azeitona, por isso, a minha bexiga precisava ser dilatada e novo rim, funcionando 100% a comandar urina para a bexiga que não comportava e extravasava.

Então comecei a exercitar o poder da mente e a bexiga começou a dilatar. No 14º dia, um enfermeiro ao vir fazer o procedimento da sonda de alívio, apalpando o baixo abdômen, não percebeu a presença do tal bexigoma então não fez essa sessão e voltou 6 horas depois, e mais que depressa avisei a enfermeira: “Acho que não tenho bexigoma!”.

Ao fazer o apalpamento, percebeu que não tinha bexigoma e assim foi o meu proceder a noite. Mais uma vitória conseguida.

Acabaram as sessões de água corrente e sons de cachoeira que minha amada esposa colocava. Inicia-se um novo processo com a retirada do cateter de duplo J do ureter do novo rim e com a ultrassom do enxerto, chegando à conclusão de necessidade de algumas sessões de hemodiálise.

Na manhã seguinte, a Dra. Rebeca Mubarac fez o acesso na jugular para realizar a hemodiálise. A partir desse dia, todos os dias entrava uma máquina portátil e começava a sessão de 4 horas e com isso comecei a desinchar. Todos os dias era uma grande ansiedade à espera da bendita máquina, que era conduzida por uma profissional especializada com muita destreza e higiene.
Diante dessa rotina, aos poucos fui desmamando da hemodiálise e meu rim funcionando 100%. A partir disso, começamos a intensificar os trabalhos de fisioterapia e fonoaudiologia.

Cada dia era um novo desafio que surgia, e sempre aceitei a todos com muita resiliência e certo de que venceria cada um deles.

A fisioterapeuta fez a sugestão de me colocar em pé em uma maca específica e eu aceitei o desafio e a primeira experiência foi numa sexta-feira, durante uma atividade do serviço social e da psicologia para interação entre os transplantados. A sessão foi muito boa e excelente oportunidade para troca de experiências e energias.

Fiquei mais de duas horas em pé, o que aliviou a constipação e ajudou meu intestino a funcionar melhor. Eu, que já tinha fama de falador, quando passava em pé na máquina, os técnicos e pacientes pediam discurso e assim eu falava sobre a qualidade do serviço do Hospital Delphina Aziz ou sobre a meu tempo de desbravamento pela Amazônia.

Tive o prazer de festejar meu aniversário dentro da enfermaria, onde a equipe da nutrição providenciou um bolo e tive muitos convidados participantes entre técnicos, enfermeiros, médicos e terapeutas, além da minha irmã, Amália Affonso que durante os 64 dias em que estive internado, ela esteve em meu leito dia após dia juntamente com minha esposa.

Confira o vídeo do meu aniversário:


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