Colunista
Transplante no Amazonas – Parte 07

Por: Fabiano Affonso

professor, engenheiro agrônomo, pós graduado em comunicação e metodologia da extensão rural, especialista em projetos de reforma agrária e especialista em política e estratégia, autor da cartilha “Latifúndio na Amazônia”.

Transplante no Amazonas – Parte 06

Após ter convulsionado, baixei UTI, onde me possibilitou as experiências mais incríveis da minha vida.
Ao chegar na UTI, passando muito smal, no momento de decidir se entuba ou não entuba, a minha família inclusive na presença do meu anjo da guarda Fabiano Paes Barreto Affonso, meu filho, antes de me apagarem, lembro de ter pego a palavra e com voz forte e bastante firme apelei: “Me entubem logo, eu não aguento pais”.
O que fez com que a Dra. Yasmin, supervisora da UTI assumisse a responsabilidade de me entubar.
Após entubado, não sei por quantos minutos tive a experiência do meu espirito desprender do corpo físico e ver a UTI por outros olhos.
A cena dantesca, a turma do andar inferior a torturar os pacientes imóveis em seus leitos e a Legião Dourada de Gabriel a combate-los muitas vezes com espadas a coloca-los a correr dos pacientes.
Aqueles leitos em que os pacientes tinham fé em Deus, haviam a presença dos guardiões de Gabriel a se degladiarem com os torturadores.
Os leitos com menos fé os torturadores eram em menor número que a legião dourada e os leitos onde o paciente não possuía fé, totalmente dominada por torturadores que com sadismo e prazer realizavam o seu mister.
No intervalo de um determinado tempo, percorri os 40 leitos da UTI que invariavelmente eram essas três imagens em cada leito que se repetiam.
Em certo momento tive a possibilidade de participar de uma reunião entre a equipe médica, ao comando da Dra. Yasmin com os meus familiares, acho que deveria ser início da tarde
Os supervidores com muito jeito e determinação explicavam que se meu corpo não estabilizasse, teriam que no dia seguinte pela manhã fazer a traqueostomia.
Ao proferir essa palavra, lembro perfeitamente que voltei ao meu leito, onde vi meu corpo material entubado, com braços abertos e palmas das mãos voltadas pra cima a tremer.
Foi tempo suficiente para o meu espirito se dirigir a Gabriel e pedir permissão para voltar ao meu corpo.
Quando obtive o suficiente para a volta ao corpo material, estabiliza-lo e parar a tremedeira, onde passei o resto do dia e noite muito bem, com os sinais vitais e principalmente a saturação.
Pela manhã, isso levou a equipe medica a desprezar a necessidade de traqueostomia, o que culminou com mais uma vitória.
Os dias após a entubação, passados alguns dias, a equipe médica decidiu pela extubaçao e eu imóvel vivenciei mais uma experiência, que após a extubação me veio a dolorosa passagem pelo isolamento.
Um leito único, totalmente isolado por blindex, com uma régua hospitalar na cabeceira, banheiro para realizar os procedimentos individualizado, uma boca de ar condicionado imensa na direção do meu peito e duas portas de blindex de correr, um pequeno basculhante na cabeceira não dava visão de ver se era dia ou noite.
Lembro de um temporal violento, muito trovão e relâmpago que entrava pelo basculhante.
Seguindo a orientação da supervisora quando me instalou no isolamento, passei o dia a levantar o braço chamando a equipe técnica, cheguei a contar entre 50 pessoas da equipe de UTI e com muita dificuldade conseguia com que os técnicos responsáveis pelo meu leito Márcio e Dizs entrassem e higienizasse a minha boca e o corpo.
Com isso, um fenômeno sobrenatural aconteceu, numa manhã, uma explosão da bomba de oxigênio da régua em minha cabeceira, voando cacos de plástico verde para todos os lados.
Nesse momento, umas 20 pessoas sob o comando da Dra Yasmin tentaram adentrar ao meu isolamento, a porta de correr estava emperrada e o acesso se dava pelo isolamento.
Com aquela multidão ao redor do meu leito, supliquei: Dra, me tire daqui do isolamento, não aguento mais.
Não sei se pelos meus apelos, mas meu pedido foi atendido e fui removido para o leito 21 da UTI onde tinha visão da tela de um computador e de uma televisão e onde assisti meu fluminense pegar uma goleada . No mesmo dia foi feito procedimento em mim de um acesso na veia subclave, do lado esquerdo pelo Dr. Breno, a quem eu alcunhei de mão santa, pois não senti nada do procedimento.
No dia seguinte, em plena forma, o assento do Dr Breno era na diagonal do meu leito após o café da manhã comecei a bradar: Ei Mão Santa.
Até um técnico vir ver o que eu estava precisando, e eu informei que queria falar com o médico “Mão Santa”, apontando para o Dr. Breno e ele diligentemente disse que ele chava-se Dr Breno e o chamou para o meu leito.
Dr. Breno chegou, lembro-me de ter pego sua mão e agradecido pelo procedimento do acesso onde passavam os antibióticos, soube que ele tinha sido o responsável por colher liquido da minha medula para análise, o qual o liquido estava branco/transparente.
Falei segurando suas mãos e olhando em seus olhos: Muito obrigado pela sua destreza em implantar o acesso na subclave.
Conversamos sobre futebol, e eu disse que gostaria de tê-lo visto a noite no gol do fluminense, no lugar do mão de alface do goleiro do meu time.
Após alguns dias, soube que ele e a Dra Yasmin tinham passado no concurso de Cirurgia Geral e aproveito a oportunidade para felicita-los. Que sigam na missão divina. Obrigado!
Foram dias seguidos de vitórias, o que me levou em pouco tempo a obter alta da UTI e retornar a enfermaria.
Meus agradecimentos à toda equipe da UTI do Hospital Delphina Aziz.

Veja o vídeo em que faço fisioterapia com fonoaudióloga:


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