Colunista
Transplante no Amazonas – Parte 06

Por: Fabiano Affonso

professor, engenheiro agrônomo, pós graduado em comunicação e metodologia da extensão rural, especialista em projetos de reforma agrária e especialista em política e estratégia, autor da cartilha “Latifúndio na Amazônia”.

Transplante no Amazonas – Parte 04 (ver vídeo)

A cada dia uma vitória

Já na enfermaria de TX, sob o comando da Dra. Kellen (uma amiga e querida protetora) e uma gama de enfermeiros e técnicos de enfermagem os quais seria injusto citar os nomes de uns e esquecer os demais, A todos, a minha eterna gratidão.
A rotina diária consistia de uma ducha gelada no Hospital Delphina Aziz, em que precisava da parceria de um técnico de enfermagem ou fisioterapeuta dispostos a me colocar na cadeira de banho, onde minha zelosa esposa não abria mão de fazer minha higiene.
Revitalizado pelo banho, enxuto, dependíamos da boa vontade que nunca faltou dos técnicos de enfermagem dispostos a me colocar no leito.
Constipado por 05 dias, porém, com o rim funcionando e cicatrizando perfeitamente com acompanhamento da nutricionista, começamos a aplicação da dieta com laxativos e muita medicação.
Sentia muita dor na região cervical e velhas contusões que passaram para dar bom dia e diziam: lembra daquele dia jogando futebol? Lembra daquele dia de salto de paraquedas em Salvador?
Aguardávamos a visita rotineira da Equipe Médica, que iniciava com a Dra. Kellen informando à Nefrologista plantonista do dia como eu tinha passado a noite e as últimas 24hs. Essas Nefrologistas são as mais fantásticas e humanas que Deus poderia colocar na minha vida: Dra. Camily Abecassis, Dra. Mariela Figueiredo e Rebecca Mubarac.
A equipe também era composta pelo grupo de São Paulo: Dr. Juan Pereira, Dr. Leon Alvin, Dr. Marcelo Perosa e Dr. Lelis Marotti, que não dispensavam a ida ao meu leito cada vez que vinham à Manaus, pois eu era o desafio dos transplantes de Manaus.
Todas as vezes que eles me visitavam, eu os recebia com bom humor e otimismo, bradando um SELVA BRASIL bem entoado a cada visita.
Como um homem de informações e mente astuta, antes deles revelarem os acontecimentos, eu já adiantava todos os fatos das últimas 24hs e aguardava ansiosamente por essas visitas pois sentia tanto carinho que minhas energias eram renovadas com mais otimismo.
Numa dessas visitas, com o Dr. Leon presente, pedi um relaxante muscular pois as dores musculares nos ombros estavam muito intensas, fazendo com que eu consumisse remédios para dor como dipirona e outros, foi prescrita uma medicação que aliviou bastante os sintomas
Durante as atividades diárias, a fisioterapeuta Kelena, que foi fazer a terapia no meu leito e mencionou um pôr do sol de uma certa janela que era maravilhoso, me desafiou a assistir ao pôr do sol neste lugar e eu prontamente aceitei, ela se comprometeu a voltar para me buscar no horário.
No horário marcado, eu estava ansioso demais, mas também apreensivo: Como poderia uma mulher, baixinha me carregar para colocar na cadeira de rodas? Mas com muita técnica e carinho, ela executou a missão brilhantemente.
Mal sabia o que me esperava no primeiro passeio fora do meu leito.
Chegando na janela do pôr do sol, fiquei encantado, pois embora conhecesse aquele lugar, uma vez que fui Coordenador do Parque de Exposições Agropecuárias Angelino Beviláqua, terreno onde hoje está implantado o Hospital Delphina Aziz, me surpreendi com a beleza daquele pôr do sol.
Ao retornar para o leito, a Kelena falou de uma capela nas dependências do hospital e imediatamente pedi para conhecer.
Descemos de elevador do 6º ao 1º andar e a partir daí as idas à essa Capela se tornaram uma rotina pela qual eu esperava diariamente.
Ao chegar na capela, era posicionado em frente à imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas e invariavelmente fazia em voz alta a seguinte oração: “Jesus, Nossa Senhora, não vim pedir nada para mim, somente agradecer. Porém, lhe peço que abençoe e proteja esses profissionais que usando o teu exemplo utilizam as mãos para ajudar e curar os pacientes. Muitos passando necessidade, deixam suas famílias e vêm ao hospital se dedicar aos pacientes. Te peço proteção a eles e as suas famílias, que sob tua proteção e do Anjo Gabriel possam exercer suas funções com segurança. Te peço também pela minha família, que estão muito apreensivos e preocupados com a minha recuperação, Amém”.
No retorno ao meu leito, em tom de brincadeira, quando passava pelo setor de enfermagem dizia: “Fui na Ponta Negra e voltei!”.
Com a minha evolução e as vitórias diárias, minha alta se aproximava e estava prevista para o dia 15/12/2023.
No dia 14/12/2023, apresentei uma intercorrência.
Tive uma crise convulsiva na frente da minha esposa logo após o jantar, o que mudou a rota dos planos e ao invés da minha casa, retornei para a UTI.
E ali, passei longos e intensos dias.


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