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Ziraldo: Um gigante da cultura brasileira

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Transição Planetárias às Avessas

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O dia em que Satã veio à Terra julgar vivos e mortos

Por Juscelino Taketomi

Era um dia singular. O céu estava mais agitado do que nunca. Não era um dia tranquilo no chamado Planeta Azul. As nuvens pareciam se revolver em uma coreografia cósmica esquisita, enquanto estrelas trocavam olhares apreensivos. Uma brisa inquietante soprava, trazendo consigo um presságio sombrio.

E então aconteceu. Um cometa cortou os céus, não com a elegância de um bailarino celestial, mas com a arrogância de um conquistador terrível, acima de qualquer comparação com genocidas do tipo Alexandre Magno, Hitler, Stalin, Mao Tse Tung, Benjamin Netanyahu, Pol Pot ou Augusto Pinochet. Em sua cauda flamejante, um par de olhos vermelhos brilhava, faiscando com a promessa de julgamento e condenação.

Alguns sites de notícias qualificaram o bólido de O “Cometa do Diabo” embora a Nasa o tivesse denominado tecnicamente de 12P/Pons-Brooks. Mas, entre os amantes das teses conspiratórias, o bólido era uma nave comandada por Satã rumo à Terra.

De Norte a Sul do Brasil, chefões do crime organizado estavam tensos. No Nordeste, descendentes de velhos coronéis assassinos rezavam sem parar. No Rio de Janeiro, narco mafiosos ligados à famigerada transnacional Mara Salvatrucha lamentavam suas performances na execução de malfeitos. A hora chegara e eles contabilizavam pouco em relação às estatísticas de maldades que haviam prometido a Satã antes de encarnarem na Cidade Maravilhosa.

Orgulho arrogante

E lá vinha Satã, montado naquele cometa, com seus chifres cheios de orgulho arrogante. Ele havia chegado à Terra, não para uma visita turística, mas para um propósito muito mais sinistro: julgar aliados vivos e mortos que, por monumental incompetência, fracassaram em cumprir a tarefa de reduzir este planeta a cinzas até o alvorecer do novo milênio.

Era como se toda a humanidade estivesse prestes a participar de um daqueles programas de auditório surrealistas, onde o prêmio final era uma viagem sem volta para as profundezas do Inferno. As multidões se aglomeravam nas ruas, cada uma delas carregando sua própria bagagem de pecados e desculpas esfarrapadas.

Os políticos, com suas promessas vazias e agendas egoístas, se encolhiam em seus ternos caros, suando frio ao perceberem que seus esquemas corruptos não seriam suficientes para escapar da ira do Senhor das Trevas. Os magnatas, com suas fortunas construídas sobre as costas dos menos afortunados, tremiam diante da perspectiva de um acerto de contas infernal. Roubaram e mataram abaixo da média exigida pelo Demo e, assim, iriam pagar pela ineficiência.

Entre desespero e estupefação

No Aplicativo Whatsapp, grupos de adeptos fanáticos das ciências ocultas ficaram na encruzilhada entre o desespero e a estupefação. Porque, afinal, quem poderia ter imaginado que o apocalipse viria por meio de uma piada sideral, com o próprio Satã pilotando um cometa em forma de chifre?

Enquanto os filhos de Belzebu aguardavam seu destino incerto, alguém perguntou se o grande responsável por toda essa confusão celestial não seria, quem sabe, o próprio Criador Javé, destilando ironia divina ao mesmo tempo em que observava sua criação falida tentando escapar de suas falhas no Universo onde a malfadada Terra estava situada. Mas, não…não era um holograma de Javé com o fito de ludibriar os incautos terráqueos.

Outros, no entanto, entendiam que, no final das contas, talvez fosse melhor encarar o fim iminente com um sorriso irônico nos lábios, pois, afinal, se a comunidade de fiéis de Satã teria que ser julgada, que isso ocorresse por obra, pelo juízo e pelas mãos ferozes do maior mestre de diatribes galácticas de todos os tempos, que agora descia à Terra dirigindo um cometa estranhamente diabólico, em forma de chifre.

A bem da verdade, foi assim que Satã se tornou o juiz de uma transição planetária improvável, às avessas, levando da Terra todos os seus seguidores malignos: Capirotos clones que passaram milhões de anos promovendo corrupções, desmandos e arruaças bélicas, mas que foram incapazes de sequer usar cogumelos nucleares para explodir e riscar do mapa universal, de uma vez por todas, a odienta Terra. Eram elohins incompetentes que falharam e, enfim, enfrentariam sua condenação no Caldeirão Infernal.


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