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1 de julho de 2022
Tema 2: Economia Prateada: Um mercado de oportunidades

Coluna:

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Tema 2: Economia Prateada: Um mercado de oportunidades

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Michele Lins Aracaty e Silva
Com o avanço na medicina, tratamentos, medicamentos bem como a disponibilização de vacinas em quase todos os países do mundo observa-se um aumento substancial da longevidade populacional. 

A longevidade populacional é responsável por criar um mercado com elevado potencial de consumo: A Economia Prateada ou 50+. Termo definido pela Oxford Economics, a “silver economy” ainda na década de 1970, que agrega as pessoas com mais de 50 anos.


“Define-se Economia Prateada como sendo a soma de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos e os produtos e serviços que elas consomem diretamente ou virão a consumir no futuro”.


O pioneirismo da Economia Prateada tem como foco o país mais velho do mundo, o Japão, onde mais de 30% da população tem idade acima de 65 anos.


A popularização do conceito bem como os movimentos em prol de um ambiente de oportunidades teve como berço a França em 2015, quando a União Europeia fez um amplo estudo sobre o assunto e elegeu a França como nação a servir de espelho para as demais no que tange a olhar para o futuro e para a longevidade de forma propositiva e por apresentar ações e oportunidades para este público, trata-se do Silver Valley, pioneiro em fomentar ambientes de negócios para a longevidade, unindo organizações que antes não conversavam sobre o tema, como: academia, iniciativa pública, governo, iniciativa privada e startups para pensar soluções para a longevidade.


A iniciativa francesa rompeu a barreira de olhar para o envelhecimento como um problema e focar nas oportunidades desta realidade, atendendo a um processo cada vez mais acelerado.


Não somente o mundo envelheceu, o Brasil também, e quais são estes números: de acordo com a ONU, em 2017, o mundo tinha 962 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Em 2050, esse número passará para 2,1 bi – o equivalente a 25% da população mundial. No Brasil, temos hoje 37 milhões de idosos e seremos 68,1 milhões em 2050.


Apenas entre 2012 e 2021, 12,2 milhões de brasileiros ingressaram no grupo de pessoas com 60 anos ou mais, sendo responsável por movimentar R$ 1,6 trilhão por ano. A expectativa é de que esse crescimento seja ainda mais acelerado nos próximos anos, com o maior envelhecimento da população brasileira.


Dessa forma, o Brasil precisa se preparar de uma forma gradativa, pois em 2050, será o 6° país mais velho do mundo e ficará à frente das nações desenvolvidas. Teremos mais idosos do que jovens até 14 anos devido à baixa natalidade e alta longevidade.


Em 1940 a expectativa de vida do brasileiro era de 45,5 anos. Já em 2019, quando o IBGE fez o último levantamento, este número pulou para 76,6 anos.


Este movimento impulsiona e impulsionará a criação de profissões, de postos de trabalho e o surgimento dos mais variados cursos, seja para profissionais de todas as idades que querem atender a este público, seja para contribuir para o estímulo ao raciocínio dos 50 (como aulas de games) ou auxiliando no uso de ferramentas tecnológicas ou mesmo na prestação de serviços no segmento de saúde ou lazer.


Em relação ao mercado de trabalho, eles tem muito a contribuir, uma vez que a rápida tomada de decisão é uma habilidade conquistada pela vivência acumulada; o equilíbrio e a liderança trazem a confiança e o respeito e estes profissionais carregam consigo o networking que fortalece e concretiza os negócios.


Em relação aos negócios, estamos observando uma explosão de empresas de tecnologias e startups abertas por este público ou mesmo que oferecem produtos e serviços para este novo mercado, uma conexão entre o tradicional, a inovação e o futuro.


Ainda em relação ao mercado, podemos observar que eles estão em todos os lugares: nas universidades, (temos até universidades destinadas a este público – Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade – FUnATI), nas academias, no mercado de trabalho e no Tinder. Impulsionam as vendas, o comércio e os serviços e estão dispostos a consumir cada vez mais e apresentam uma renda potencial para este consumo.


Se você não faz parte desse grupo, é bom ir se acostumando com a ideia de que um dia você irá fazer parte dele, cabe a você criar ou apoiar novas soluções focadas na nesta nova economia tanto no que se refere ao consumo, quanto para questões de impacto social, não como uma simples visão de mercado ou mesmo empatia, mas sim uma questão de autocuidado.


Por fim, é inegável que a existência humana está estruturada em ciclos: infância, adolescência, idade adulta e o envelhecimento. Temos que olhar para o envelhecimento como um privilégio e devemos tecer reverências e gratidão, mas devemos nos preparar para este momento para que possamos gozar com saúde, qualidade de vida, renda e entusiasmo. Por isso, não podemos aceitar que esta Nova Economia traga preconceito e falta de respeito.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento

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