SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO CORONAVÍRUS E O CONTROLE SOCIAL

Para efeito de esclarecimento, epidemiologia é um campo da ciência da saúde que trata dos vários fatores genéticos, sociais e ambientais enfim é o estudo da distribuição das doenças e seus determinantes.

Ademir Ramos

“Enquanto sofrer de uma doença contagiosa, a pessoa precisará morar sozinha, fora do acampamento.”
Levítico 13,46

Para efeito de esclarecimento, epidemiologia é um campo da ciência da saúde que trata dos vários fatores genéticos, sociais e ambientais enfim é o estudo da distribuição das doenças e seus determinantes. No Brasil pela expansão do novo Coronavírus COVID-19, a Sociedade Brasileira de Pediatria através do seu Departamento de Infectologia compartilhou com seus pares, informações referenciadas na literatura médica seguida de uma leitura crítica dos dados preliminares que me socorrem nessa análise.

“A nossa história é a história de nossos parasitas. Mais que isso: às vezes, nossa história se mistura com a deles”. (superinteressante)

No Brasil, com apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o genoma viral foi rapidamente sequenciado, mostrando que o COVID-19 é 75% a 80% idêntico ao SARS-CoV (2002) e ainda mais intimamente relacionado à Coronavírus de morcegos. O conhecimento detalhado das características deste novo Coronavirus é de crucial importância, pois viabiliza o desenvolvimento dos diagnósticos, permitindo sua rápida identificação, contribuindo diretamente nos ensaios sorológicos para mapear a prevalência da infecção em uma determinada comunidade, além de constituir também etapa fundamental para a produção de vacinas em um futuro próximo. É preciso reconhecer que as informações apresentadas, segundo os especialistas da Sociedade Brasileira de Pediatria, são preliminares.


O que a literatura médica afirma é que o Coronavirus pertence à subfamília Coronavirinae da família dos Coronaviridae, ordem Nidovirales. Esta subfamília inclui quatro gêneros. Até o ano de 2019, seis diferentes espécies de Coronavirus eram conhecidas como causa de doença em seres humanos, entre os quais quatro delas de alta prevalência e tipicamente associados a quadros de resfriados e infecções leves do trato respiratório superior em pacientes imunocompetentes de todas as faixas etárias. As outras duas cepas, SARS-CoV e a MERS-CoV (2012) têm origem zoonótica (animal) e estão associadas a quadros graves e potencialmente fatais de insuficiência respiratória.

“Que sirva de alerta: Animais domésticos, como os porcos, transmitem novos vírus da gripe, enquanto morcegos são bombas: carregam mais de 200 tipos de vírus, 60 dos quais podem infectar humanos. Eles chegam a nós por intermédio de bichos exóticos, como pangolins”. (Otavio Silveira/Superinteressante)

O importante é destacar o sequenciamento do genoma do COVID-19 feito por pesquisadoras brasileiras, em cooperação com a universidade de Oxford, clarificando, dessa forma, as análises dos profissionais de saúde assentadas na experiência com SARS-CoV e MERS-CoV, aventando a possibilidade da transmissão do COVID-19 ocorrer por meio de aerossóis (pelo ar) e fômites (por substancia material capaz de absorver o transporte do vírus), antecipando dessa feita a definição de medidas de saúde pública, incluindo quarentena na comunidade, diagnóstico oportuno e criteriosa adesão às precauções universais nos ambientes de saúde, para minimizar a transmissão do COVID-192.

“Pessoas em estado crítico podem ser salvas por máquinas de ventilação mecânica, que compensam a insuficiência respiratória e dão tempo extra para que o sistema imunológico lute contra o vírus – até vencê-lo. Porém, se não há equipamento para todos, é preciso escolher quem vive.” (Superinteressante)

O professor Jorge Kalil, com investimento da FAPESP, há 30 anos estuda métodos de imunização. Ex-diretor do Instituto Butantã, ajudou, por exemplo, na produção de uma vacina contra a dengue e ainda recentemente estava focado nas vacinas contra o streptococcus pyogenes, que causa a febre reumática e cardiopatia reumática crônica, como também a chikungunya. Com os primeiros casos do novo Coronavírus no Brasil, ele deixou pendentes todas as outras pesquisas para junto com sua equipe dedicar-se exclusivamente numa vacina que combata o SARS-COV talvez pelo resultado do sequenciamento do genoma viral do COVID-19 ser 75% a 80% idêntico ao SARS-CoV. O professor Kalil, no curso de suas relações familiares, contraiu o novo Coronavírus estando em quarentena no ambiente residencial.


Este mórbido espetáculo que se dissemina pelo mundo afora também se faz ver na obra de Michel Foucault, O Nascimento da Clínica (1977), quando categoricamente, o arguto pensador afirma que antes da civilização os povos só tinham as doenças mais simples e mais necessárias. O mestre Foucault remete-nos para a complexidade das relações do processo de produção centrado na exploração do trabalho em suas diversas formas de articulação com o controle político do Estado assentado na desigualdade social como expressão nacional e da divisão internacional do trabalho vinculado ao mercado globalizante motor das múltiplas determinações. Nesta circunstância a medicina ganha status de políticas públicas assumindo uma postura normativa, regendo as relações físicas e morais dos indivíduos e da sociedade aqui justificada pela propaganda como meio de controle e vigilância do que como bem-estar social (promoção, proteção e recuperação) da saúde do nosso povo.


Fonte: google
https://super.abril.com.br/especiais/virus-vida-e-obra-do-mais-intrigante-dos-seres/?fbclid=IwAR1YswTTSljzrvFUJoN7rUvC0cAnTASl97PLMWR5X0nW9i28q5MWLTfaaCY

É professor, antropólogo, coordenador do projeto jaraqui e do NCAPM do Dpto. de Ciências Sociais da UFAM.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *