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 O caso Eneida

Por: Robério Braga

Membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas

Seleção de professores

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Robério Braga

            Tenho acompanhado, e não é de hoje, o lançamento de editais para seleção de professores, seja por meio de concurso público, seja para regime temporário, portanto, com prazo curto para o exercício dessa importante atividade. Compreendo que o crescimento da população, o enorme aumento do número de escolas e a extensa distribuição horizontal das ocupações habitacionais têm exigido a ampliação dos quadros do magistério e soluções mais práticas. Digo, de antemão, que confio em todos os mestres, posto que professor e de família de professores, conheço de perto a relevância dessa atividade vocacional.

            O objeto desse artigo, entretanto, é recuperar na memória dos antigos e acender na geração atual, seja de mestres como de alunos, a forma pela qual eram selecionados os professores do ensino médio e superior em nossa terra, nos primeiros anos do século passado e em tempos anteriores. Além de se constituir em festa de esbanjamento de saber e demonstração de capacidade didática, o que se via, segundo os registros históricos, era competição de alto nível entre personalidades que dignificaram o magistério e, muitas delas, com relevância, também, na medicina, no campo do direito, no jornalismo e na política, por exemplo, mas, indiscutivelmente, bem-preparadas para lecionar as matérias para as quais se apresentavam.

            Os concursos – de provas e títulos e defesa de tese – eram oportunidades para congraçamento social, amplo noticiário de imprensa, defesa das teses e posterior publicação de muitas delas e, o mais importante, para a formação de quadros de magistério altamente qualificados e comprometidos com o ensino público estadual.

            A formação das bancas examinadoras para estas defesas de tese era de alta relevância, e os escolhidos e nomeados por ato do governador do Estado eram, sempre do sempre, conhecedores profundos das áreas nas quais iam aplicar as provas e ouvir a apresentação da defesa das teses elaboradas especialmente para a ocasião, além de debaterem em audiência pública, diretamente, com os examinandos. Tudo se processava nos moldes do que é feito nos dias correntes para a aquisição dos títulos de mestre e doutor nas universidades. Assim decorriam os exames para o Ginásio Amazonense e a Escola Normal, unidades primorosas, como para a Universidade de Manaus.

            Nesse rol de exames de seleção à moda antiga há alguns casos até curiosos diante da grade curricular atual, como o concurso para a Cadeira de Ginástica e Esgrima do Ginásio Amazonense Pedro II, para cujas provas a banca foi composta pelos professores José Augusto Zany, José Vieria e Ribeiro da Cunha, este que se tornou membro da Academia Amazonense de Letras.

            Os reconhecidos professores Benedicto Sidou, Gilberto Saboia e Armando Berredo foram examinadores de vários desses concursos no começo dos anos 1900, mas, nenhum dos mais requisitados para essas bancas – e foram muitos nesta condição – nenhum se igualou a Adriano Jorge, médico alagoano que atuou em Manaus por longos anos, pelos menos desde 1905 até os fins de 1940.

            E é curioso observar que Adriano Jorge era convocado para examinar as mais variadas matérias: física, química, biologia, matemática, português, história e até música, sempre considerado como esteio das comissões de exames, contundente em suas observações, firme e seguro para conferir as notas e expender comentários sobre as teses expostas, e, algumas vezes, segundo corria a boca pequena entre os de seu tempo e os próximos de sua família, também versado em apreciações hilárias sobre determinados assuntos.

              Rigor na prova, abnegação no trabalho, competência acima de tudo eras os pontos principais desses concursos.


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