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Tratamentos espirituais

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Revolução verde

A emergência da bioeconomia na Amazônia

Segundo a economista Michele Aracaty, professora da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), uma grande revolução verde está a caminho na Amazônia: a bioeconomia, baseada em ativos biológicos e biomiméticos da região, capaz de elevar o PIB (Produto Interno Bruto) do Amazonas a patamares inimagináveis.

Ela foi uma das estrelas do recente Seminário Parlamentar Interamericano, que debateu “O Papel da Cooperação Interregional para o Desenvolvimento Sustentável do Amazonas”, ocorrido na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

O Seminário foi organizado pela Aleam em parceria com a União Interamericana de Parlamentares (Unipa), presidida pelo deputado estadual catarinense Ivan Naatz (PL) e que tem na vice-presidência o deputado amazonense Dr. George Lins (União Brasil).

A palestra de Michele alertou para o contexto da alardeada Revolução 4.0, impulsionando a economia da região neste início do século XXI a partir de uma nova abordagem no manejo da Amazônia, priorizando a valorização da biodiversidade e a inovação tecnológica.

Para a economista, a exploração do vasto potencial econômico da região, com a necessária preservação ambiental, impõe uma abordagem séria a respeito das ferramentas tecnológicas da Quarta Revolução Industrial para desvendar o valor da biodiversidade, promovendo o desenvolvimento econômico sem agressões ao ecossistema.

Responsabilidade de todos

Ao abordar a importância do investimento em conhecimento científico e tecnológico na Amazônia, Michele destacou o enorme potencial dos ativos biológicos, citando o exemplo da cadeia produtiva do açaí, gerando emprego e inclusão social, fortalecendo a economia estadual e beneficiando o país como um todo.

Entretanto, Michele alertou que a revolução não acontecerá do dia para a noite, mas mediante um processo que passará pelo papel das universidades na formação de profissionais para a nova bioeconomia e no desenvolvimento de pesquisas e inovações, no que o CBA (Centro de Bionegócios da Amazônia) será altamente relevante.

A criação de laboratórios avançados de biologia nas universidades da região, visando a capacitação de uma nova geração de pesquisadores e empreendedores, é fundamental.

Outro alerta da pesquisadora diz respeito a fortes investimentos em infraestrutura, envolvendo estradas, hidrovias, portos e aeroportos, além de telecomunicações, capital humano de alto nível, fomento do empreendedorismo e outras medidas que coloquem o estado em um patamar digno de progresso.

Michele falou no imperativo de capacitar comunidades para o aproveitamento das novas tecnologias e assinalou a necessidade de garantir a justa repartição de benefícios com as populações tradicionais detentoras do conhecimento sobre os ativos biológicos do estado e da região.

Na visão da professora, os desafios no caminho da revolução verde no Amazonas poderão ser superados com as parcerias público-privadas, unindo interesses na promoção do desenvolvimento sustentável com as ferramentas das inovações tecnológicas.

As parcerias, dentre outros pontos, seriam cruciais na melhoria dos serviços de saúde, de saneamento básico, de fornecimento de água de qualidade e do nível da educação básica e superior no estado, assim como no combate à evasão escolar, à criminalidade e ao baixo Índice de Progresso Social (IPS).

O que diz a Embrapa

Dados da Embrapa apontam que ações de bioeconomia podem beneficiar mais de 750 mil famílias na Amazônia. No Pará, ela proporciona a geração de uma renda de 5,4 bilhões de reais e 224 mil empregos, principalmente em estruturas familiares.

A Embrapa investiu 20,5 milhões de reais em pesquisas e no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a bioeconomia na região amazônica em 2019, e busca aumentar esse montante neste ano de 2024, procurando fortalecer as cadeias produtivas sustentáveis.

As tecnologias desenvolvidas incluem manejo de açaizais, produção de castanha-da-Amazônia, manejo de abelhas nativas, novas cultivares de frutas amazônicas, entre outras. Essas tecnologias já têm impacto econômico superior a 160 milhões de reais e geram cerca de 3 mil empregos.

Além disso, a Embrapa trabalha no avanço de temas como agricultura de baixo carbono, restauração florestal, aproveitamento da biodiversidade local e inclusão das populações locais em cadeias de comercialização. A agregação de valor a produtos da biodiversidade, como o açaí, apresenta grande capacidade de expansão, com potencial para medicamentos, cosméticos e outros produtos.

De acordo com a professora Michele Aracaty, o Amazonas, com os fabulosos recursos da sua biodiversidade, pode ir longe com a bioeconomia. É só o estado se mobilizar para valer, com boa vontade política, determinação e planejamento.


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