“Repavimentação da BR-319 é um imperativo”, diz Nelson Azevedo

Relatório do GT apontou que a recuperação “é viável”

Confira a entrevista do empresário ao ÚNICO

Juscelino Taketomi
Especial para o ÚNICO

ÚNICO – O relatório final do grupo de trabalho do Ministério dos Transportes confirmou que a pavimentação da BR-319 é tecnicamente viável e ambientalmente sustentável. O que isso significa para os estados do Amazonas e de Roraima, que vivem isolados por via terrestre do restante do país?

Nelson Azevedo: Esse relatório é uma notícia extremamente positiva para os cidadãos do Amazonas e de Roraima. A pavimentação da BR-319 vai finalmente conectar Manaus a Porto Velho, eliminando décadas de isolamento terrestre. Isso quer dizer acesso mais fácil a serviços, oportunidades de emprego e desenvolvimento econômico para a região. É uma solução esperada por muitos anos e que agora tem uma base técnica sólida para ser implementada.

ÚNICO – Desde 1968, quando as obras foram iniciadas, essa rodovia enfrenta desafios quanto à questão ambiental.

NA – A BR-319 sempre foi marcada por dificuldades. Desde a falta de manutenção, que levou ao fechamento da rodovia em 1988, até os inúmeros impasses e debates sobre a pavimentação e recuperação da estrada nos anos 2000. Houve uma grande falta de interesse e prioridades equivocadas ao longo dos anos, resultando em um projeto que nunca foi concluído. Mais recursos foram investidos em estudos de impactos ambientais do que seria necessário para recuperar o traçado com boa qualidade. Isso transformou a estrada em um cenário de debates ambientais sem propósitos consistentes. Faltou muita conversa e muito esclarecimento. No final das contas, restou a concordância de que é preciso promover o desenvolvimento com sustentabilidade ambiental.

Empresário Nelson Azevedo aponta a necessidade urgente de repavimentação (Foto: Fieam)

ÚNICO – Como o novo relatório aborda a preservação ambiental, um dos maiores desafios envolvendo a recuperação da rodovia?

NA – O relatório sugere várias medidas para garantir a preservação ambiental. Inclui o cercamento de 500 quilômetros do “trecho do meio” da rodovia e a instalação de 172 passagens de fauna, tanto subterrâneas quanto aéreas. Estas medidas permitirão a travessia segura dos animais e reduzirão o impacto da rodovia sobre a fauna local. Além disso, o projeto passou por um processo rigoroso de licenciamento ambiental e está condicionado ao cumprimento de medidas de mitigação de impactos, conforme definido pelo IBAMA.

ÚNICO – Nos últimos anos, episódios de seca extrema dos rios amazônicos isolaram ainda mais os estados de Roraima e Rondônia do resto do país. Então, a rodovia não é uma questão premente?

NA – A pavimentação da BR-319 é crucial para mitigar os efeitos do isolamento causado pelos episódios de seca extrema. Quando os rios secam, o transporte fluvial se torna inviável, deixando comunidades inteiras sem acesso a bens e serviços essenciais. A estrada pavimentada oferece uma rota alternativa e confiável, garantindo que produtos e recursos possam ser transportados independentemente das condições fluviais.

ÚNICO – Quais são as expectativas para as comunidades isoladas ao longo do traçado da rodovia e para os agricultores que atualmente enfrentam dificuldades para comercializar seus produtos?

NA – A recuperação da BR-319 é vital para essas comunidades. Ela permitirá que os agricultores transportem seus produtos com mais facilidade, impulsionando a economia local. Além disso, facilitará o acesso a serviços essenciais, melhorando a qualidade de vida das pessoas que vivem ao longo da rodovia. É uma mudança que vai gerar emprego e renda, tirando essas comunidades do isolamento. Com a estrada, pequenos produtores terão a oportunidade de competir em mercados maiores, o que é essencial para o desenvolvimento sustentável da região. Em resumo, todos os negócios que dependem de cadeias produtivas mais complexas sairão ganhando com a recuperação dessa infraestrutura de transportes. A rodovia é um imperativo.

Trecho do meio é o mais problemático da rodovia (Foto: Reprodução)

ÚNICO – O projeto de recuperação também menciona a importância de uma abordagem colaborativa para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Como o senhor vê essa questão?

NA – Sempre faço questão de relembrar que a melhor maneira de preservar um bem natural é atribuir-lhe uma atividade econômica sustentável. Trabalhar em mutirão em projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia é a chave. Com estratégias claras, sobretudo quanto à fiscalização permanente, resultados tangíveis e produtos que beneficiam milhões de brasileiros da região, podemos promover um desenvolvimento alinhado com um Brasil inteligente e responsável. É essencial uma interlocução permanente entre o Governo Federal e os atores locais para priorizar a geração de empregos e o compromisso com a proteção florestal.

ÚNICO – E os próximos passos para garantir a execução sustentável do projeto de recuperação da BR-319?&

NA – O documento já publicado em todos os jornais da Amazônia será apresentado na Casa Civil, onde os próximos passos serão definidos. Em julho, começará uma série de reuniões para elaborar acordos de cooperação técnica entre o Ministério dos Transportes e órgãos como IBAMA, ICMBio, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Esses acordos são cruciais para garantir uma governança eficaz e a implementação das medidas necessárias para proteger o ecossistema ao longo da rodovia. A participação contínua de todos os envolvidos é fundamental para o sucesso do projeto.

ÚNICO – O senhor acredita que desta vez a recuperação da BR-319 será concluída?

NA – Estou otimista. Com a publicação do relatório, a transparência do processo decisório e o compromisso de diversas entidades envolvidas, acredito que estamos no caminho certo. A pavimentação da BR-319 é uma necessidade urgente para a região e um símbolo de nossa capacidade de promover o desenvolvimento sustentável. Dessa vez, acredito que vai. A chave para o sucesso é a colaboração contínua e o compromisso de todos os setores da sociedade.


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