Religião e política nas disputas eleitorais

Bancada da bíblia, com o avanço dos evangélicos no governo o cinismo, seguido da manipulação das igrejas tornaram-se lugar comum. No mesmo rastro da corrupção moral alguns acólitos da política correm atrás dos religiosos católicos com a mesma volúpia eleitoreira tentando vincular suas candidaturas as missões e obras das pastorais religiosas das paróquias, prelazias e dioceses.

Conclui-se, portanto, que o cinismo virou regra, com as exceções devidas. Ignoram os oportunistas ou fazem pouco caso quanto à ética da religião e da política compromissada com a coisa pública sustentada pelo direito positivo no Estado laico.

Para estes vendilhões os fins justificam os meios, eles querem é vencer e que se danem as instituições e os movimentos sociais ou pastorais. Não são ignorantes e muito menos ingênuos, suas estratégias e práticas são de cooptação, afrontando a ética da responsabilidade visto que a religião e os eclesiásticos pautam suas praticas na convicção dos princípios morais consagrados na tradição e no direito natural.

Nos tratados da política este campo está muito bem demarcada, sobretudo, por Max Weber, quando separa o joio do trigo, a exigir dos políticos e governantes sua responsabilidade e dever em promovem o bem público longe de seus credos ideológicos políticos ou confessionais.

Um dos divisores de águas desta matéria é a questão de gênero e da saúde da mulher, quando a bancada feminina, juntamente com os movimentos sociais pautam sua agenda em favor do aborto como saúde pública. Por dever moral os religiosos devem contestar ou se abster afrontando os valores republicanos para garantir sua eleição ou reeleição.

Em síntese, a relação das igrejas compromissadas com a democracia e justiça social estão assentadas nos projetos e programas políticos, em atenção a qualidade de vida da nossa gente orientada pela ética da responsabilidade, do dever fazer e não pelo cinismo e muito menos pela convicção e princípios dos acólitos das igrejas sejam de que designação for.

O momento é oportuno para se avaliar o governo Bolsonaro quanto à instrumentalização da fé numa perspectiva medieval exaltando a família como patrimônio do Estado. Qualquer gesto nesta direção afronta a sociedade humanitária e os próprios lares como sujeitos e atores do direito e da justiça. Por sua vez, parlamentares e governantes contrários aos valores republicanos encarnam o cinismo como regra da imoralidade na política prestando um desserviço aos brasileiros.

Esse texto não reflete, necessariamente a opinião do Único


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