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Conexões profundas em pessoas rasas

Por: Luiz Thadeu Nunes de Silva

Engenheiro agrônomo e viajante do mundo

Quase perdido no Rio de Janeiro

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Estive Rio na semana passada, fui a trabalho, para um congresso de Agentes de viagem. Desembarquei na Cidade Maravilhosa sob um calor escaldante. Na semana que os meteorologistas diziam ser a mais quente do século. Mesmo sendo nordestino não gosto de calor.
Hospedado na Barra, pedi um Uber para me conduzir até o RioCentro onde estava acontecendo o evento da ABAV.
Não demorou o motorista de aplicativo chegou. Como bom carioca, me cumprimentou, confirmou meu nome e destino. Senhor de meia idade, cabelos brancos, gago.
Conversador, no trajeto até o RioCentro foi falando empolgado das belezas do Rio. Pergunta de onde sou, fala que saiu uma única vez do Rio, foi para Salvador, Bahia.
Digo que sou do Maranhão; como sempre faço, pergunto qual a capital do Maranhão. Quase sempre as pessoas erram.
-Agora o senhor me pegou.
-É Piauí.
-Não.
-Moço, não sou muito bom de geografia. Vou chutar novamente, é Aracaju?
-Não, a capital do Maranhão é São Luís.
-Aprendi hoje, a capital do Maranhão é São Luís. Lembrei, a terra do Sarney.
Falou que gostou do nordeste. Contou sua rotina. Divorciado, mora só, no subúrbio; que dirige das seis da manhã às três da tarde. Volta para casa para dormir. Tem dois cachorros, seus verdadeiros amigos. Fala animado do amor e da fidelidade dos cães por ele.
-Meus cachorros gostam mais de mim do que todas as mulheres que já tive.
-Mulher é coisa boa, mas dá trabalho.
-O senhor é casado?
-Sou, há 40 anos.
-Muito tempo, diz ele me olhando incrédulo, como se estivesse diante de um ET.
Diz que o carro é financiado, que por enquanto é do Santander.
Na última separação teve que vender o carro, dar a parte da companheira, e com a parte que lhe coube deu entrada no carro que conduz.
De repente, ele solta um “ixe!”
-Tudo bem, amigo? Pergunto.
-O senhor tem tempo?
-Sim, o que aconteceu?
-O waze está me mandando para um lugar estranho. Errou a rota.
-Como assim?
-Nós estamos indo na estrada que dá na Cidade de Deus.
Pensei com meus botões, agora lascou.
Ele olhou pra mim, deve ter lido meus pensamentos.
-Não se preocupe, nesta hora da manhã, e ainda chovendo, os “meninos de Deus” estão dormindo. Eles só “trabalham” mais tarde. Não foi preciso entrar na comunidade.
-Aqui é a entrada da Cidade de Deus, mostrou-me refazendo o caminho.
Lembro do filme de mesmo nome do diretores Fernando Meirelles e Kátia Lund, baseando no livro de Paulo Lins.
“Cidade de Deus”, foi lançado em 2002 e chegou a ser indicado ao Oscar de melhor direção em Hollywood.
O GPS refez o caminho, retornamos para o trajeto que nos levou até o RioCentro. Cheguei sã e salvo.
Na minha próxima ida ao Rio quero “subir” em uma comunidade.
Afinal de contas, para um cabra que abre a boca para se gabar que já visitou 151 países em todos os continentes, não conhecer uma comunidade carioca, mundialmente famosas, não conhece o Rio, não conhece o Brasil, não conhece é nada.
Viva o Rio, viva a irreverência dos cariocas, viva o Brasil.


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