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Mulheres e economia

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Parques Eco-industriais e a Economia Circular

Circular-Economy

O padrão econômico capitalista adotado pós-revolução industrial impactou direta e indiretamente sobre a sociedade, promoveu a geração de resíduos, estimulou a exploração de matéria-prima e ocasionou as mudanças climáticas.

Dada as preocupações ambientais e com o bem-estar da humanidade bem como a vida na terra busca-se uma solução com base na economia sustentável, baseada no capitalismo natural (onde o ecossistema seja considerado o valor ativo de capital com aumento da produtividade dos recursos). Tal realidade, possibilita uma Nova Revolução Industrial aqui definida como Parques Eco-Industriais (Eco- Industrial Part – EIP).

Conceitualmente falando, os Parques Eco-Industriais (Eco-Industrial Park -EIP), surgiram na literatura em 1992, no Instituto Norte-Americano Indigo Development a partir dos estudos de um grupo de pesquisadores das Universidades de Dalhousier e Cornell. Em 1994, a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) premiou o Indigo Development, por seu projeto de implantação desenvolvido para o Triangle J. Institute. Em 1996, dezessete projetos se autodeclararam como parques eco-industriais (INDIGO DEVELOPMENT, 2005).

Segundo a Indigo Development (2005) um parque Eco-industrial pode ser definido como sendo “uma comunidade de indústrias, negócios e serviços situados em uma propriedade comum onde seus membros buscam o melhor desempenho ambiental, econômico e social através da cooperação e gerenciamento ambiental e dos recursos naturais que visam um benefício coletivo que seja maior do que a soma dos benefícios individuais que cada empresa obteria se somente aperfeiçoasse seu desempenho individual”.

Dessa forma, o objetivo de um Parque Eco-Industrial é melhorar o desempenho econômico das companhias integrantes ao minimizar seus impactos ambientais, através do projeto sustentável da infraestrutura e das fontes de energia (novas ou reutilizadas), da produção mais limpa e prevenção da poluição, da eficiência energética e da cooperação mútua entre as empresas. Ademais, também se preocupa com os benefícios para as comunidades vizinhas para se assegurar que o impacto real local gerado por seus serviços sobre o meio realmente seja positivo (INDIGO DEVELOPMENT, 2005).

Esse novo Modelo de Desenvolvimento Eco-Industrial implica a mudança da forma de planejar, construir e gerenciar os sistemas industriais, em conjunto com o ecossistema, a economia e a sociedade para o benefício mútuo.

Para a implementação da simbiose industrial nas atividades de um Parque Eco-Industrial, as ações de planejamento devem contemplar análises econômicas (verificar o potencial de retorno do investimento para alocação de materiais e pessoas) análises técnicas (tecnologias disponíveis) análises ambientais (identificar os parâmetros ambientais desejados) e medidas de regulamentação (ambientais e fiscais).

Os Parques Eco-Industriais constituem o futuro dos tradicionais Distritos Industriais uma vez que a necessidade de modernização em relação à gestão e a tecnologia constituem requisitos para que estes possam acompanhar as tendências mundiais em termos de sustentabilidade econômica e competitividade.

Nesta nova abordagem, os investimentos em sustentabilidade implementados para mitigar os impactos ambientais já não são mais considerados despesas e passam a serem avaliados como imprescindíveis no aspecto comercial e mercadológico.

Para atender a este novo cenário, a Economia Circular surge como balizadora, uma vez que, fomenta o desenvolvimento sustentável ao longo da cadeia produtiva o que se traduz em respeito ao meio ambiente, economicidade e bem-estar social.

Ressaltamos que o processo de transformação envolve não somente as empresas instaladas nos distritos industriais, mas também seus fornecedores e impacta de forma positiva em toda a cadeia de suprimentos elevando o grau de competitividade das empresas.

Para que um projeto desta natureza seja efetivado, no entanto, é preciso interesse da comunidade e vontade política. Para tanto, também se faz necessário um processo de conscientização dos prognósticos do sistema capitalista atual e dos benefícios adquiridos através da harmonia com o meio ambiente.


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