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A importância das hidrovias

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Pará é vitrine de desafios e problemas

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O estado do Pará escolhido para sediar a Cúpula da Amazônia e a COP30 em 2025 constitui a fotografia dos desafios e problemas regionais apresentando ao mundo as vulnerabilidades socioeconômicas comuns aos estados amazônicos.

Entende-se por vulnerabilidade socioeconômica a situação de famílias no limiar da pobreza, em condições de habitação inadequadas e com perspectivas limitadas de formação de capital humano, a partir da presente geração de crianças. Neste sentido, o termo expressa a suscetibilidade à perda de qualidade de vida (à perda de renda e ao acometimento de doenças), intensificada pela probabilidade de reprodução intergeracional desta mesma suscetibilidade (IPEA).

O estado do Pará desde 2006 lidera a lista de desmatamento em terras indígenas e segue no processo de ampliação de áreas de pastagens. Ademais, anualmente bate recordes de queimadas que impactam diretamente sobre o maior bioma do planeta.

É na grandiosidade amazônica que encontramos os mais preocupantes resultados do Índices de Vulnerabilidade Social (IVS) e do Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e pouco ou nenhuma oferta de serviços de infraestrutura básicas, como por exemplo: fornecimento de água potável, rede de esgoto, coleta de lixo, saúde, saneamento básico, portos, energia elétrica e telecomunicações.

Já existe um consenso entre os especialistas de que o desmatamento só contribui para piorar o desenvolvimento social regional uma vez que impacta negativamente no Indice de Progresso Social (IPS) que fundamenta-se em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos para o bem-estar e oportunidades (Imazon) e é buscando soluções assertivas para combatê-lo que poderemos mudar a realidade regional.

Acerca do desmatamento e suas atividades ilegais este constitui no maior desafio amazônico e sua redução contribuirá para melhorar as condições do ambiente econômico propiciando um espaço favorável aos investimentos (inclusive estrangeiros) e como consequência, alcançaremos a prosperidade regional.

Para o mundo, a Amazônia bem como sua cobertura florestal é considerada protagonista das soluções da agenda climática e sua urgência. Por esse motivo, a Cúpula da Amazônia invoca a cooperação internacional com o propósito de proteger a floresta, suas riquezas e seus habitantes em prol da sustentabilidade ambiental e social.

O evento oportunizou um espaço para a discussão dos seguintes temas: sistema climático na Amazônia, gestão regional e saúde, conservação e proteção dos recursos naturais renováveis, infraestrutura e transporte, questões indígenas e mulheres, jovens e negros da região amazônica.

Infelizmente, ao final da Cúpula da Amazônia tivemos muitas promessas e poucos avanços concretos principalmente no que tange às metas comuns de desmatamento zero com o protagonismo dos países que compõem a OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) até 2030. Evidenciando assim, a complexidade da agenda ambiental e as divergências entre os envolvidos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela).

Por fim, a Declaração de Belém apresenta ao mundo uma lista de compromissos em comum para a região amazônica, mas não abrange soluções, prazos ou fontes de financiamento e o tempo exige medidas rápidas e assertivas em prol da proteção da floresta, seus habitantes e de combate às mudanças climáticas.


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