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Bolsonaro comprovou os valores e práticas da democracia do Brasil

Por: Carlos Santiago

Sociólogo, Analista Político, Advogado e Membro da Academia de Letras e Culturas da Amazônia – Alcama.

Os recados dos fenômenos naturais ao eleitorado do Amazonas

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Os últimos fenômenos da natureza no Amazonas, como as cheias dos rios e as estiagens, assim como a pandemia de Covid-19, causaram enormes impactos econômicos, sociais, ambientais e mortes de pessoas e de animais, mas também revelaram a qualidade dos governantes e do eleitorado do estado, influenciando diretamente num maior sofrimento da população e no aumento da destruição da fauna e da flora da região.


Em outubro de 2010, por exemplo, a estiagem daquele ano foi declarada como sendo uma das maiores da história do Amazonas, impactando a população dos municípios e com grandes prejuízos para a fauna e a flora da região. De lá pra cá, quais foram as ações dos governantes do Estado, dos municípios e quais as medidas tomadas para diminuição de prejuízos econômicos, sociais e ambientais provocados pelas estiagens?


Nos meses de junho e julho de 2021, a cheia de rios no Amazonas, foi uma das maiores da histórica, afetou 450 mil pessoas e atingiu mais de 100 mil famílias em 25 municípios. Só na cidade de Manaus, 15 bairros foram atingidos e aproximadamente 24 mil pessoas tiveram suas casas alagadas ou improvisaram os locais de moradia para conseguir dormir e se locomover. De lá pra cá quais as medidas realizadas pelos governos para monitorar e planejar consequências de futuras enchentes?


Em março de 2020, o Estado registrou a primeira morte por Covid-19. Depois, mais de 14 mil faleceram em todo o Amazonas, tornando a cidade de Manaus o epicentro do coronavírus, com colapso do sistema de saúde, chegando a faltar oxigênio nos hospitais. Mas, quem eram os governantes da época e quais foram as medidas realizadas para melhorar o sistema de saúde e ampliar a vacinação da população.

Pois bem, o que melhorou de 2010 para 2023, em termo de prevenção com políticas públicas, para que os impactos da natureza não sejam tão grandes para a sociedade, para o povo? Quais foram as estruturas técnicas e com orçamentos para monitoramentos, estudos científicos e decisões de prevenções antecipadas? Quais os planos econômicos para que o interior não fique tão dependente de ajudas dos governos federal e estadual? Quando o governo do Estado tratará os fenômenos naturais com base no conhecimento técnico e ambiental?


Nesse período, de 2010 a 2023, aconteceram várias eleições para o Legislativo e para o Poder Executivo, para o governo do Estado, para prefeitos, deputados, vereadores, para presidente e para o Senado Federal, além de registro de inúmeras operações da Polícia Federal, prisões de políticos, cassação de governador do Amazonas, prisão de familiares de ex-governador. Só não aconteceram as mudanças necessárias para o enfrentamento dos fenômenos da natureza.


Sobrou uma maioria de políticos com discurso demagógico ou fazendo populismo com entrega de rancho, de rabeta, de algo para ganhar simpatia popular, conquistar votos para se manter no poder. Se o eleitor amazonense quer mudar a política, melhorar a sua condição de vida e não quiser enfrentar tantas dificuldades, no momento em que a força da natureza se manifesta, ele tem que escolher bem os seus representantes.


Se o eleitorado não escolher bem, a população vai continuar sofrendo com fenômenos naturais, com pandemia e também com a incompetência dos governantes que agora buscam a mídia para aparecer diante das desgraças que atingem toda a sociedade.


Qual sua Opinião?

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