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24 de setembro de 2021
Claúdio

Coluna:

Por: Cláudio Barboza

Jornalista profissional rg/mtb 059
Prêmio Esso de jornalismo

Os bons tempos do basquete em Manaus

basquete em Manaus

A primeira tabela de basquetebol em fibra de vidro em Manaus foi inaugurada na quadra coberta do Olímpico Clube, ao lado da sede do clube, na Constantino Nery. Naqueles anos – metade da década de 70 em diante – o basquete em Manaus fervilhava. Os jogos dos times adultos eram transmitidos ao vivo pelas rádio Rio Mar e Baré.
Mas nosso relato é sobre nossa geração que jogava no juvenil. O time era o Olímpico Clube. Muitos da nossa turma começaram no Nacional, cuja sede social ficava à Saldanha Marinho, depois passamos pelo Rio Negro e finalmente chegamos ao Olímpico onde permanecemos por várias temporadas.
A maioria do grupo estudava no Colégio Dom Bosco, que tinha tradição no basquete. Nosso maior rival nas competições escolares era o time da então Escola Técnica Federal e depois, passou a ser o Colégio Militar. Entre os clubes o Bancrevéa era o maior rival. É uma incrível verdade que em todos os anos que jogamos nunca perdemos um jogo nas competições locais. Um record sem dúvidas, que bem poderia estar no Guinness, afinal isso durou mais de três anos.

Manaus era uma cidade tranquila


Manaus era uma cidade tranqüila, com pouco mais de 300 mil habitantes e a única quadra coberta era do Olímpico, onde se teve também a primeira tabela em fibra de vídeo, inaugurada em jogo com a seleção brasileira feminina de basquete.
Depois tivemos o Ginásio Renné Monteiro, o Ginásio do Rio Negro e ginásio da Escola Técnica Federal do Amazonas.
Além do Olímpico, havia equipes juvenis do Rio Negro, Bancrevéa, Saga, Nacional, e de uma comunidade batista norte-americana que existia na região de Puraquequara.
Até hoje me surpreende ao lembrar a estrutura existente daqueles anos. Os clubes tinham departamento de esporte amador. Mantinham técnicos, massagistas e equipamentos, inclusive com tênis para treinos e jogos. Nosso benefício além dos treinamentos e jogos era a carteirinha, que dava acesso aos parques aquáticos. Olímpico e Rio Negro tinham ótimas piscinas e o Bancrevéa mantinha sede social e campestre.
Entre os técnicos da épocas lembro bem do Eraldo, “seo Eraldo”, vivo até hoje, Walorman, Valverde, Galega e Arthuzinho. Cabe aqui o registro do Peteo, um apaixonado pelo basquete que dedicou sua vida ao basquete feminino do Amazonas, treinando gerações. Nossos treinos eram três vezes por semana e nos outros dias, as “peladas”, aconteciam nas quadras de cimento do Dom Bosco e do Benjamin Constant. A grande disputa se dava no 21 ( dois contra dois. Ganhava quem fizesse 21 pontos. Saia faísca)
Desses tempos tinha o Paulinho, aluno do Dom Bosco, com 1m70, magrinho e dono de um arremesso mortal. Era um apaixonado pelo basquete. Morava em frente ao Colégio Dom Bosco, na Epaminondas, dormia e acordava com uma bola de basquete. Naqueles anos ainda não havia o lance de três pontos mas se tivesse, Paulinho com certeza iria brilhar.
A questão de altura era um problema para jogar fora de Manaus. Quase todos nós tínhamos pouco mais de 1m70 e só alguns poucos alcançavam mais de 1m80, mesmo assim a qualidade técnica era boa e havia um bom conhecimento de “fundamentos” (quem é do basquete sabe o que significa essa expressão). Aqui uma lembrança do Carlito. Tinha 1m78 e conseguia brigar no rebote com caras de dois metros.
Nossa geração foi à primeira do Amazonas a participar dos Jogos Estudantis Nacionais, realizado em Maceió, Alagoas, 1972. Além do basquete várias modalidades participaram daqueles jogos. Pra se ter uma ideia, três aviões boings saíram de Manaus até a capital alagoana levando a delegação do Amazonas.
Tivemos oportunidade de disputar pela seleção amazonense, Campeonato Nacional, em Fortaleza, e Campeonato de Clubes Campeões, em São Paulo, pelo Olímpico. Nas competições nacionais o sofrimento era grande. Nossa baixa estatura era nosso maior obstáculo.
Teve um dia em que para a alegria de todos nós, o técnico Arthurzinho, de Pernambuco, um gênio do basquete, que havia construído uma história de muito sucesso em Recife foi contratado para treinar as seleções amazonenses …mas essa é uma história mais para a frente…
OBS: Registro da época. Atletas: Mito (Anselmo), Rimundo Jimenez ( um gigante no rebote com seus quase 1m80) ,Carlito, Ricardo Borges, Paulinho, Tadeu Borges, Cleveland Jezini, Rochester Jezini, , Maurício, Lúcio, Shoeder, Nascimento (Naná), Celso Gióia, Rodolfo Braga, Ernesto Braga, Cnéio, Zé Ivan, Amadeu, Josetito Lindoso, Gil, João Negão, Claudio Barboza, João Blá Blá Blá, Pery, Juraci. Falecidos : Carreira (exceção em altura, tinha mais de dois metros de altura, era pivô do Bancrévea), Hugo e Diouro. Surgiram logo após nossa geração e alguns ainda jogaram em nossos times: Egídio, Aranha jogador de talento, que se tivesse mais altura, teria sido destaque nacional), João, Airton Gentil, Adílton, Mesquita, Diego e John Americano.
Árbitros locais da época, Heraldo Costa,Calderaro, Enock, Bicudo. Árbitros da CBB: Edson Bispo, Manoel Tavares e Paulo dos Anjos. Ex-presidentes da FEBAM ( Federação de Basquete do Amazonas ( Sínval Gonçalves, Jaime Rheder, Eraldo Costa, e Tito Lívio.
Técnicos da época: Eraldo Costa, Valormam, Galega, Valverde, Arthurzinho, Peteo.
Clube da nossa geração “OLÍMPICO CLUBE” do saudoso presidente, Almério Botêlho.


Claudio Barboza, formado em Filosofia pela Faculdade de Belo Horizonte, graduado em jornalismo pela UFAM, Mestre em Sociologia pela UFMG, Dr. em Comunicação pela UFMG

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