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A reunião do TRE-AM e os critérios para a realização de pesquisas eleitorais no Amazonas

Por: Juscelino Taketomi

Jornalista, há 28 anos servidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

O uso indevido da internet Starlink pelo crime organizado

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Por Juscelino Taketomi

No dia 29 de fevereiro deste ano, uma grave denúncia veio à tona no Amazonas: a internet via satélite Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk, foi usada por milicianos para divulgar em tempo real uma sessão de tortura a suposto mandante de um crime em Boca do Acre.

O crime, que vitimou o agrimensor Bruno Alceu Bomfim Tabuti e outros três camponeses, expôs um problema alarmante sobre o uso indevido dessa tecnologia por organizações criminosas.

Desde a expansão da Starlink no Brasil, diversas denúncias surgiram apontando sua manipulação por criminosos. Apenas no último ano, o Ibama encontrou 90 aparelhos da Starlink operando em garimpos ilegais.

A empresa domina a região amazônica, com presença em 90% dos municípios, incluindo áreas de difícil acesso, onde outros serviços de banda larga não chegam. Nessas áreas, a Polícia Federal e o Ibama já apreenderam ouro, armas e munições durante operações.

Tabuti foi contratado para demonstrar que uma área desmatada não estava relacionada com as atividades dos moradores do Acampamento Marielle Franco. Mas, ao chegar ao local, ele e os camponeses foram interceptados por homens armados.

Socos e golpes de facão

Utilizando a internet Starlink, os agressores realizaram uma videochamada ao suposto mandante, identificado como “doutor Sidnei”, durante a sessão de tortura. A violência, incluindo socos, chutes e golpes de facão, foi coordenada em tempo real, demonstrando o uso perverso da tecnologia.

Além da violência física, os agressores destruíram os equipamentos de trabalho de Tabuti, resultando em um prejuízo financeiro significativo e impedindo-o de continuar seu trabalho como agrimensor.

Este caso é apenas um exemplo da crescente utilização criminosa da internet Starlink, que deveria estar contribuindo para a preservação da floresta amazônica e a conectividade de escolas rurais, conforme prometido na parceria firmada em maio de 2022 entre Musk e o governo brasileiro.

O uso da internet via satélite para crimes graves, como a tortura ao vivo, levanta uma preocupação urgente. As autoridades brasileiras precisam intensificar a fiscalização e controle sobre o uso dessa tecnologia em regiões vulneráveis.

A falta de monitoramento adequado permite que criminosos utilizem a Starlink para coordenar e executar atividades ilegais, transformando uma ferramenta de potencial social e ambiental em um instrumento de violência.

Na África e na Ásia

Este problema não se restringe ao Brasil. A Starlink também levanta preocupações em regiões de conflito na África e na Ásia, onde a facilidade de comunicação em áreas remotas pode ser explorada por quadrilhas e grupos armados. A situação no Amazonas é um alerta claro: é imperativo que se estabeleçam medidas rigorosas para impedir o uso indevido da tecnologia.

A promessa de conectar áreas remotas e beneficiar a sociedade com a internet via satélite não pode se transformar em um pesadelo de violência e crime. O caso de Bruno Alceu Bonfim Tabuti deve servir como um catalisador para ações concretas das autoridades.

É essencial implementar uma fiscalização efetiva e estratégias de controle para garantir que a Starlink seja usada para os fins a que se propõe, promovendo o desenvolvimento e a proteção ambiental, e não facilitando atividades criminosas.

As autoridades devem agir com rapidez e firmeza para proteger a população, que deve dispor da tecnologia enquanto uma ferramenta a seu favor e não como um instrumento de terror contra a sua integridade.


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