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Na vida tudo é arte

Por: Luiz Thadeu Nunes de Silva

Engenheiro agrônomo e viajante do mundo

O que está acabando é o ano, não o mundo

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Dezembro, derradeiro mês do ano. 2023 se encaminha para o fim, o tempo segue seu curso, impávido. A primeira quinzena já bateu em retirada. O movimento no comércio é frenético. Comemorações a todo vapor. Eu, que não sou dos mais festeiros, já fui a quase uma dúzia de confraternizações. Isso, porque resolvi abrir mãos de algumas, por falta de tempo, ou do vil metal. Haja dinheiro e fígado.


Essa é a época do ano em que o bolso e o fígado mais são acionados. Haja saúde física e financeira. 
Dezembro é o mês em que a sensação de riqueza toma conta da maioria das pessoas. Estimulados pelos comerciais de TVs, mídias em geral. “Compre, compre, compre”, brada um garoto-propaganda, aceleramos nossa veia consumista. 


Importamos mais um modismo norte-americano, a black friday, onde compramos o que não precisamos, gastando o que não temos, nos endividamos, para satisfazer desejos, que, na maioria das vezes, comprometem futuro. Vejo no meu entorno pessoas, com renda mínima, comprarem smartphones, por valores que comprometem seus salários pelo ano que ainda nem nasceu. Qual a necessidade? Saciar a coisa mais cara do ser humano, -a vaidade. 


Brasileiro, não pode ver um oportunidade de compra, ainda mais se vier com a palavra mágica “promoção”, que ele compra como se não houvesse amanhã. Só que a conta chega, -se não pagar em dia; acrescida de juros, correção monetária e outros penduricalhos. 


Segundo dados do Serasa, 72 milhões de brasileiros estão inadimplentes. 
Em matéria da Folha de São Paulo, “Dois terços dos brasileiros não têm nenhuma reserva financeira, mostra o instituto Datafolha”.


“Quase metade da população também não contribui para a Previdência.
A maioria dos brasileiros não tem guardado nenhum dinheiro como reserva para emergências ou em caso de perda de renda do trabalho. Quase a metade da população com 16 anos ou mais também não contribui para a Previdência, o que sugere um futuro financeiro sombrio na velhice.


Os dados constam de pesquisa nacional Datafolha realizada no dia 5 de dezembro em 135 municípios. Foram ouvidas 2.004 pessoas e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo o levantamento, 67% dos brasileiros (dois terços) não têm qualquer reserva financeira para atender contratempos maiores. Os que têm algum dinheiro guardado para manter o mesmo padrão de vida por um período menor que três meses também são poucos: 10%
Apenas 6% consideram ter reservas para se manter entre seis meses e um ano. Outros 6% privilegiados afirmam que sua poupança poderia sustentá-los, sem rebaixar o padrão, por mais de um ano”. 


Por causa do número de brasileiros endividados, o governo federal lançou o programa “Desenrola”. O Desenrola Brasil é um programa de renegociação de dívidas. Seu objetivo é permitir que os devedores voltem a ter condições de adquirir novas operações de crédito. Aplica-se a dívidas que tenham sido negativadas no período de 1°/1/2019 a 31/12/2022. 


Apenas a título de sugestão, juntamente com o programa Desenrola, deveria ser lançado cursos de Educação financeira, e explicar o óbvio. “De onde se retira e não se coloca, acaba”. 
Como dizia meu velho e saudoso pai, Luiz Magno, rindo de si mesmo: “Se você acha que o capeta não existe, comece a dever, não pague, que ele aparece pra você”. 


Meu pai partiu aos 84 anos, e deve ter visto várias vezes o capeta, pois nunca soube lidar com o dinheiro. Onde o dinheiro estava, papai não estava, e vice-versa.
Divertido, dizia: “Meu filho, se não sei guardar segredo, tu achas que vou guardar dinheiro?”.
Só lembrando, que está acabando é o ano, não o mundo. Na virada do ano, a conta chega. Ah! se chega. 


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