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O naufrágio da Humanidade – parte 2

Por: Augusto Bernardo Cecílio

Auditor fiscal e professor

O naufrágio da Humanidade – parte 2

… a Europa invadiu, e agora é invadida…colhendo o que plantou.

Continuando, a China foi outra importante região asiática sob o domínio inglês que se dedicou principalmente ao comércio do ópio produzido na Índia. Depois de travada a “Guerra do Ópio” (1840-1842), veio o “Tratado de Nanquim” que, além de uma série de vantagens econômicas, os súditos da rainha ainda conquistaram o direito sobre Hong Kong, que somente em 1997 foi devolvida ao governo Chinês.

O império colonial francês foi o segundo maior do mundo. Após a Revolução de 1832, no governo de Luís Felipe conquistou a Argélia, no norte da África, graças à atuação da Legião Estrangeira, formada principalmente por criminosos e mercenários. O domínio ampliou-se com a conquista de Senegal, Guiné, Costa do Marfim e Marrocos. No continente asiático, as forças francesas conquistaram a região da Indochina, atualmente Vietnã, Camboja e Laos.
Os alemães conquistaram Camarões, Togo, Namíbia e a África Oriental. Por último chegaram os italianos e ocuparam a Líbia, Eritréia e a Somália.

Mesmo sofrendo grande ameaça francesa e inglesa, a Tailândia foi a única a manter sua independência na Ásia, enquanto mais da metade do continente pertencia a outras nações. Estados Unidos e Alemanha promoveram conquistas em diversas ilhas espalhadas pelo Oceano Pacífico.
As constantes disputas travadas entre os países europeus por territórios no continente africano e asiático, onde se pudesse explorar as riquezas e estabelecer a influência ideológica, foi um dos motivos para eclodir a I Grande Guerra Mundial (1914).

Vejam como a história nos remete, séculos depois, aos mesmos locais de intensos conflitos, mas em circunstâncias e proporções bem diferentes. No primeiro momento, quando a rota comercial, obrigatoriamente, passava pelo Mediterrâneo e, devido aos problemas já relatados, buscou-se alternativa contornando o sul da África.
Séculos depois acontece o processo de exploração econômica e dominação política estabelecida pelas potências capitalistas emergentes, ao longo do século XIX e início do XX, tudo em busca de mercado consumidor. Países industrializados – Reino Unido, França, Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, Rússia, Japão e Itália – necessitavam encontrar terras ricas em matérias-primas parta abastecer suas economias e novas regiões para investir o capital excedente.

Além do comércio, os territórios conquistados atendiam aos problemas de crescimento populacional, que, naquele tempo, já se registravam na Europa e para fornecimento de mão-de-obra numerosa e barata.
As marcas do imperialismo na África, além de determinar a repartição do continente entre as potências europeias, até hoje sofre as consequências das intervenções externas, com países envolvidos em graves crises internas em decorrência da falta de estabilidade econômica, social e político-administrativa.
Essa ânsia pela conquista de territórios na África e na Ásia, onde se promovia a exploração e a influência ideológica resultou na Primeira Guerra Mundial, gerou um ambiente de instabilidade nas relações internacionais, desenhou um quadro econômico onde poucos têm muito e muitos têm pouco e, atualmente, nos revela que a Europa colhe o que plantou.

Enquanto o mundo inteiro se choca ao olhar a foto do menino deitado na praia, sem vida, é igualmente difícil pensar quantas crianças morreram e morrem, a cada dia na África, na Ásia e no Oriente Médio por conta da selvageria disseminada pela guerra, pela possessão, pela falta de humanidade, que se afoga no mar do preconceito religioso, do ódio incontrolável e da falta de amor.


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