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O Estado

Por: Augusto Bernardo Cecílio

Auditor fiscal e professor

O mundo pede cuidados

As alterações que o homem provocou no meio ambiente estão mudando abruptamente o clima do planeta e ameaçando comprometer o próprio futuro da humanidade.

Alguns autores atribuem a mudança de paradigmas na relação homem-natureza ao início do Renascimento com o antropocentrismo, passando pela Revolução Industrial, pelo Liberalismo, culminando no século XX com a exploração desenfreada dos recursos naturais.
Temos nos posicionado como saqueadores dos recursos naturais, encarando-os como ilimitados, a partir de uma visão antropocêntrica, desconsiderando as biodiversidades do planeta e as relações interdependentes como parte do todo.

No decorrer da última década do século XX, cresceu a percepção de que um novo mundo estava surgindo – um mundo moldado pelas novas tecnologias, pelas novas estruturas sociais, por uma economia e uma nova cultura. O termo usado para designar as extraordinárias mudanças e o movimento aparentemente irresistível percebido por milhões de pessoas foi “globalização”.

Acelerando o tempo, em 2002, consequência direta da Rio-92 e da Conferência de Estocolmo de 1972, ocorre a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, comumente chamada Rio+10, em Johannesburgo, na África do Sul.

Destacam-se, pela primeira vez, os problemas relacionados com a globalização, evidenciando-se que os benefícios e os custos a ela associados estão distribuídos desigualmente. Alerta-se para o risco de a pobreza gerar o descrédito dos sistemas democráticos, favorecendo o surgimento de sistemas ditatoriais.

Medidas são detalhadas: aumentar a proteção da biodiversidade e o acesso à água potável, ao saneamento, ao abrigo, à energia, à saúde e à segurança alimentar. Procura-se priorizar o combate a várias situações adversas: fome crônica, desnutrição, ocupação estrangeira, conflitos armados, narcotráfico, crime organizado, corrupção, desastres naturais, tráfico ilícito de armas, tráfico de pessoas, terrorismo, xenofobia, doenças crônicas transmissíveis, intolerância e incitação a ódios raciais, étnicos e religiosos.

Esperava-se que até 2020 os produtos químicos fossem produzidos e utilizados de forma a minimizar os prejuízos à saúde e que houvesse também cooperação para reduzir a poluição do ar.

Até 2010, esperava-se que os países em desenvolvimento tivessem acesso a tecnologias alternativas desenvolvidas no sentido de diminuir a emissão de produtos que interferem na camada de ozônio.

Além disso, desejavam a redução da perda de biodiversidade até 2010, a reversão da tendência de degradação de recursos naturais, a restauração de pesqueiros até 2015 e o estabelecimento de áreas marinhas protegidas até 2012.

Concluiu-se, também, sobre a necessidade de esforços para possibilitar acesso a mercados alternativos com o objetivo de favorecer o desenvolvimento dos países; diminuir subsídios às exportações e promover um conjunto de programas, no prazo de dez anos, para incentivar o consumo e a produção sustentáveis.

Pelo visto, estamos na quarta década de esforços orientados para a sustentabilidade do planeta, dos países e das comunidades locais. Empenho que se expressa nos diversos eventos internacionais que têm feito emergir a consciência sobre a finitude dos recursos naturais do planeta Terra e sobre a fragilidade dos ecossistemas naturais e humanos.

Fragilidade do ambiente natural que se expressa nas alterações climáticas, nos danos sofridos pela flora e fauna, pelos oceanos. Fragilidade refletida na deterioração dos ambientes humanos, das cidades e das populações, acometidas pela miséria, pela fome, pelas doenças endêmicas, pelas desigualdades socioeconômicas.

Diante desse quadro, todos – governos, pessoas e organizações, públicas e privadas – são chamados a se envolver e a agir, cada qual no âmbito de seus empreendimentos, em busca de um mundo melhor.


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