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Tristeza

Por: Carlos Santiago

Sociólogo, Analista Político, Advogado e Membro da Academia de Letras e Culturas da Amazônia – Alcama.

O mal venceu novamente

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A alegria era o instrumento que a movia nas suas viagens de bicicleta para levar amor e reflexão sobre a vida; ele caminhava pregando o amor ao próximo, um mundo melhor e um reino celestial sem sofrimento. Ela e ele acabaram torturados e mortos. A maldade venceu o amor e a alegria.

Há na filosofia inúmeras interpretações sobre o mal. Faz parte da criação de Deus; ato causado pelo homem a partir do distanciamento de Deus; é tão somente o contrário do bem, uma das características antagônicas da existência humana; é um comportamento sem ética.

Fazer o mal ou ser vítima do mal não é um privilégio de grupos sociais específicos, nem de uma determinada religião, não é consequência somente de uma época histórica ou de um sistema político e econômico.

Pelos relatos bíblicos, Jesus Cristo, o filho de Deus, foi torturado e pregado numa cruz porque vivia entre as pessoas humildes, exaltava o amor, o perdão, uma vida sem maldade e sempre tinha palavras de conforto para quem o procurasse.

Não tinha apego aos bens materiais, vestia roupas simples, dormia em casebres e em tendas de palhas, mas a sua vida de simplicidade e de carisma incomodou as castas de governantes e de religiosos ávidos pela prática do mal. No seu julgamento público: nobres, humildes, autoridades e religiosos, decretaram a sua morte.

Depois, criaram-se religiões, nações e construíram-se igrejas, para em seu nome acumular riquezas e cometerem maldades contra pessoas e povos. O mal foi cometido a partir da distorção das ideias de Jesus que só enfatizou o amor e o bem. O mal venceu usando nome daquele que pregava o bem.

A venezuelana Julieta Hernández, artista cicloviajante nômade, ficava feliz com o sorriso do outro. Alimentava o próximo com alegria. Usava vestimenta de palhaço para tornar a vida na terra mais leve e suportável, além de buscar reflexão sobre a condição humana, pois só o personagem palhaço é capaz de expor a mediocridade humana por meio de gargalhadas.

Amava crianças. Era a Miss Jujuba, não importando o lugar e as dificuldades da vida, sua arte e seu espírito livre sempre a levavam ao encontro dos espectadores, independentemente da quantidade de público.

Não possuía riquezas materiais. Era humilde e carismática, tinha aquilo que lhe trazia felicidade, liberdade e sensibilidade para a arte.

Quando voltava ao seu país, às vésperas da comemoração do nascimento de Jesus Cristo, foi torturada, estuprada, queimada e morta. O mal, novamente, se revelou e venceu.

É difícil viver num mundo em que quem planta o amor e a alegria, tornou-se vítima do mal. Por isso, não é novidade que um padre da cidade de São Paulo, que cuida de pessoas em situação de rua, é tão perseguido, insultado e ameaçado.

Não é fácil definir com exatidão a origem do mal. Nem no campo da filosofia há consenso sobre o tema, mas sei que o mal não é algo de uma divindade: criação ou expressão de um Deus. É, talvez, a expressão humana mais perversa contra o semelhante e contra a natureza. E nem Jesus Cristo conseguiu nos livrar das nossas maldades.


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