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3 de julho de 2022
Claúdio

Coluna:

Por: Cláudio Barboza

Jornalista profissional rg/mtb 059
Prêmio Esso de jornalismo

O jornalismo no tempo dos correspondentes numa Manaus ainda muito tranquila

Claudio barboza

No início dos anos 80, em Manaus, os correspondentes de grandes jornais da época – Estado de São Paulo, Globo e Jornal do Brasil – enviavam material para as sedes localizadas no Rio e São Paulo, de cabines dos Correios, que tinham telex, uma espécie de máquina de escrever sofisticada que tinha teclado e um telefone acoplado ao equipamento. Discava-se o número da sede e estabelecido o sinal, o material era enviado em forma de texto.

Os correspondentes preferiam gravar a matéria, o que era feito acionando-se uma fita de papel que na medida em que se digitava ela era perfurada em pequenos pontos. Ao se concluir, a fita era colocada num local adequado e após o sinal ser estabelecido com a sede, um botão era acionado e o material seguia sem maiores problemas, pelo menos na maioria das vezes. Essa era a prática dos correspondentes e de outros jornalistas que chegavam a Manaus para alguma cobertura especial.

As cabines dos Correios ficavam localizadas na avenida Eduardo Ribeiro, bem perto de onde está o Relógio Municipal. A sede principal dos Correios, onde era feito atendimento ao público, ficava a Marechal Deodoro, mas as cabines localizavam-se na Eduardo Ribeiro, atrás do prédio principal da empresa.

Apenas um correspondente agia diferente. Ele conseguia passar o texto de forma direta, numa rapidez impressionante e numa capacidade de redigir o texto sem ser necessária uma correção. Era o Mário Monteiro de Lima, que era Editor Nacional do Jornal A Crítica e correspondente do Jornal O Globo, função que exerceu durante muitos anos.

Mário Monteiro saía das entrevistas às pressas, como a maioria dos jornalistas faz no seu dia a dia, fazia anotações em umas laudas – material usado abundantemente à época nas redações – que embolava nas mãos e às vezes guardava nos bolsos. Eram rabiscos que só ele mesmo conseguia traduzir. Chegava à cabine e de um fôlego só, passava tudo sem fazer uma revisão, sem nenhuma parada. Tudo de uma vez só.

O Mário Monteiro também cursava Direito, no turno da noite, na UFAM. Exerceu a função de procurador da Câmara Municipal de Manaus e de editor em outras áreas durante bom tempo no Amazonas Em Tempo. Tem também a história do dia em que o Mário Monteiro resolveu usar um gravador… e tem a história da primeira disputa eleitoral de Arthur Neto para governo do Amazonas…, mas essas histórias, eu conto mais pra frente.

Cláudio Barboza, jornalista, graduado em Filosofia pela Faculdade de Belo Horizonte,em Comunicação pela UFAM,mestre em Sociologia pela UFMG

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