O jeitinho brasileiro para enfrentar o calor

Ar-condicionado caseiro é uma das invenções

Mas será que funciona?

Uma matéria de Fernanda Rodrigues, divulgada pelo Gogle, mostra que algumas pessoas estão colocando a cabeça para funcionar a fim de enfrentar o calor. O texto conta que nas redes sociais, bombam vídeos de pessoas ensinando como montar um ar-condicionado caseiro. O termo ‘como fazer um ar condicionado caseiro’ é um dos mais pesquisados no Google por mineiros nos últimos dias, por exemplo.


Em um dos vídeos, a engenhoca funciona assim: dois tubos, com o bocal de uma garrafa pet, são acoplados na parte da frente e de trás de um ventilador, e a uma caixa de isopor cheia de gelo. A ideia é que o ventilador sopre um ar gelado vindo da caixa de isopor.


O vídeo que ensina a ‘gambiarra’ em menos de três minutos teve quase 200 mil curtidas no Facebook.
Mas será que funciona? O professor de física Dimas Rafael dos Santos Filho explica que enquanto tiver água com gelo no recipiente de isopor, o ventilador pode, sim, soprar um ar mais fresco.


“Ele vai liberar uma pequena quantidade de ar fresco para o ambiente, mas vale ressaltar que, de acordo com as leis da termodinâmica, a energia sempre vai sair da fonte quente para a fonte fria. Portanto, o ar quente que entra no recipiente fornece calor para a água gelada e o gelo, fazendo com que o gelo derreta e a água esquente até chegar à mesma temperatura do lado de fora. A partir desse momento, não terá mais nenhuma troca de calor para resfriar o ar”, esclarece o professor.

Os limites do ar-condicionado caseiro

O ÚNICO reproduz o texto de Fernanda Rodrigues sobre essa iniciativa.

Confira:

Apesar de “funcionar”, a gambiarra não conseguiria gelar uma sala. “Como o ar quente é menos denso que o ar frio, as trocas de calor não seriam muito eficientes. Elas ocorreriam, mas de forma não muito eficiente. Logo, o ar sairia fresco, mas dificilmente sairia realmente frio a ponto de gelar uma sala”, aponta Dimas.

Pano no ventilador

Outra alternativa compartilhada na internet é a de amarrar no topo do ventilador um pano molhado com água gelada. O objetivo é o mesmo da primeira versão do “ar-condicionado caseiro”: fazer com que o ventilador sopre um ar fresco.


De acordo com o professor, essa técnica funciona de forma parecida com a primeira, mas é pouco efetiva. “Pelo fato de a toalha não ficar num recipiente isolado termicamente, como a caixa de isopor, ela será efetiva por pouco tempo. Isso por que ela estará tendo trocas de calor com o ar do ventilador e, ao mesmo tempo, com o ar do ambiente – que está quente. Portanto, esse segundo método não teria tanta eficiência”, afirma.

‘Gambiarras’ têm a mesma lógica do ar-condicionado

Dimas ressalta que, apesar de os métodos caseiros não chegarem perto de um ar-condicionado ou outro equipamento criado para resfriar o ambiente, eles seguem a mesma lógica e funcionam parcialmente.


“O funcionamento do ar-condicionado é parecido com os refrigeradores. Esse fenômeno de “esfriar” o ar, na verdade, não ocorre espontaneamente. Tanto é que você precisa de um motor para realizar um trabalho (fornecer energia mecânica ao gás) no fluido refrigerante e fazer com que aconteça uma série de transformações gasosas. Assim, diminui a energia interna do fluido refrigerante e o ar é resfriado”, explica o professor.

Métodos caseiros umidificam o ambiente

Além de ajudar a diminuir a temperatura, as técnicas caseiras ajudam a umidificar o ambiente. “Nos dois exemplos você terá um ventilador injetando um ar com mais vapor de água. Dentro de um quarto, isso ajuda a aumentar a umidade do ar. Por isso, faz com que demore um pouco mais para aquecer o ambiente”, diz o físico.


A dica para quem não tem um ar-condicionado em casa é justamente umidificar o ar. “Quando a umidade do ar está muito baixa, ela pode ocasionar muitos problemas de saúde, alguns bem graves. Por isso, é interessante ter um umidificador de ar, que vaporiza a água e libera esse vapor no ambiente. Ele melhora a qualidade do ar, aumentando a concentração de vapor d’água no cômodo”, ressalta Dimas.


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