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Claúdio

Coluna:

Por: Cláudio Barboza

Jornalista profissional rg/mtb 059
Prêmio Esso de jornalismo

O grito do Chefe de Reportagem

Claudio barboza

Maço de cigarros Hollywood no bolso, pés enfiados numa confortável sandália franciscana e um cabelo preto plasticamente arrumado. Costumava chegar britanicamente ao jornal às 14 horas e, ao passar pela porta da redação, disparava gritos e broncas a torto e a direito, fazendo tremer os mais jovens, e provocando sorrisos disfarçados nos mais experientes que se escondiam atrás das então máquinas Olivetti. Esse era o perfil do Chefe de Reportagem de A Crítica, na década de 70, Jornalista Leal da Cunha. Com certeza, um dos maiores jornalistas produzidos no Amazonas, que durante anos foi da Imprensa Oficial e chegou a ser secretário de Comunicação, no segundo governo de Gilberto Mestrinho.

Leal da Cunha mandava repórteres para a apuração do dia-a-dia, lia textos e escolhia fotos, sem aliviar nos comentários. Quando considerava que a matéria não estava boa, para desespero do autor, lia alguns trechos em voz alta. Dependendo da entonação, isso podia se transformar num horror. E Leal caprichava nas entonações. Depois, tirava os óculos, fazia cara de poucos amigos e ia tomar um café.

Durante muitos anos, Leal da Cunha acompanhou passo a passo a produção do dia-a-dia de A Crítica e apesar do estilo durão, nunca o vi ofender moralmente uma pessoa. Era um chefe ranzinza, mas falava com conhecimento e depois da bronca, até compartilhava um café com o “foca”. Só ficava intragável quando o seu Flamengo ia mal no domingo. Aí, a segunda-feira era de lascar!

Nesses anos, a pauta do jornal era definida pelos editores e o chefe de reportagem acompanhava diretamente as editorias de Cidade, Política e Polícia, mas também opinava em Esportes. A pauta era fixada em um quadro de avisos. Antes de a matéria ser editada passava pelo copydesk (revisor) que, em alguns casos, reescrevia ou chamava o repórter para fazer alterações no texto. Na maioria das vezes o editor era o responsável pelos títulos.

Lembro-me do Umberto Calderaro circulando pela redação. Era uma cena rara. Passava no corredor que dividia a redação e sem nenhuma afetação, falava tanto com os antigos quanto os mais jovens. Tinha um jeito especial de comandar o jornal… Mas essa é uma história mais para frente…

Claudio Barboza, formado em Filosofia pela Faculdade de Belo Horizonte, graduado em jornalismo pela UFAM, Mestre em Sociologia pela UFMG, Dr. em Comunicação pela UFMG

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