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Cidades-esponja: adaptação à crise climática

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

O ESG e o futuro da Amazônia

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O assunto ESG vem ganhando cada vez mais espaço num cenário onde empresas buscam sinergia entre sustentabilidade e negócios. Neste mesmo horizonte, tem-se discutido o futuro da Amazônia com foco no ESG.

Bom, mas o que é ESG? A sigla ESG (Environmental, Social and Governance) surgiu no ano de 2006 sendo apresentada ao mundo a partir de um documento da Organização das Nações Unidas (ONU) intitulado: Princípio para o Investimento Responsável.

Para a ONU: “não adianta nada uma empresa gerar uma montanha de dinheiro para os acionistas se ela fizer isso explorando os funcionários, causando devastação ambiental ou sonegando impostos”.

Assim, deixamos de avaliar as empresas apenas pelo âmbito econômico (lucratividade) e passamos a observar também a sua capacidade de colocar em prática ações sustentáveis e de promover o bem-estar das pessoas (ESG). Ademais, esta medição está diretamente vinculada ao valor e aos investimentos direcionados às companhias.

Mercadologicamente, as empresas estão mais do que engajadas neste desafio uma vez que a perenidade de seus negócios estará ameaçada se as previsões mais pessimistas acerca da perda da biodiversidade, da intensificação das mudanças climáticas bem como dos desastres naturais se concretizarem.

Por conseguinte, o desafio também se estende ao compromisso de atender aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) a partir de acordo firmado frente à Agenda 2030 e os 5Ps da sustentabilidade: Pessoas (ODS 1, 2, 3, 4, 5 e 10), Planeta (ODS 6, 7, 12, 13, 14 e 15), Prosperidade (ODS 8, 9 e 11), Paz (ODS 16) e Parceria (ODS 17).

E onde a Amazônia e sua biodiversidade se inserem neste novo contexto? O mundo desenvolvido já entendeu que a preservação da floresta Amazônica em pé contribui para alcançar a meta de redução da temperatura na terra e pode ser balizadora da compensação das emissões de empresas e países. Portanto, preservar a rica biodiversidade amazônica representa atender aos acordos firmados nas conferências internacionais (Acordo de Paris, por exemplo).

Sobre a Amazônia, suas singularidades são inúmeras: temos a maior biodiversidade ambiental do mundo, é lar de aproximadamente 20 milhões de brasileiros sendo 6 milhões que trabalham e sobrevivem da extração sustentáveis de alimentos e de matéria-prima oriunda da floresta, abriga 1/3 das florestas do mundo e tem capacidade de armazenar o equivalente a 450 bilhões de toneladas de CO₂.

A Amazônia é o novo pré-sal? De acordo com o Instituto Liberal, a floresta em pé rende ao Brasil algo em torno de US$ 1,83 trilhão por ano, mas temos um grande desafio que são os elevados e crescentes números do desmatamento.

Bom, já sabemos que a floresta em pé constitui valor, agora precisamos buscar um direcionamento para que possamos aproveitar esta oportunidade e criar uma “nova economia da floresta”.

Desafio posto, mas o processo é complexo: necessitamos de uma Amazônia reestruturada que apresente um modelo econômico sustentável com metas de avanços nos níveis de IDH e de preservação ambiental que seja uma “vitrine” para atrair “novos negócios” e investimentos estrangeiros.

 Pauta-se que o ESG é uma oportunidade para que no futuro possamos reverter as injustiças geradas pelos atuais modelos e seus impactos sobre a região amazônica. Para tanto, precisamos transformar a Amazônia num destino seguro para investimentos e negócios superando buscando uma solução definitiva para o desmatamento.

Como dizia Peter Drucker, “Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo”.


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