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Fernando Mitre e o debate na veia

Por: Carlos Santiago

Sociólogo, Analista Político, Advogado e Membro da Academia de Letras e Culturas da Amazônia – Alcama.

O eleitorado do discurso do novo é conservador

Quem são os novos detentores de poder político que estão chefiando os Poderes e que foram escolhidos pelo voto popular? O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) é Caio André; o maior dirigente da Assembleia Legislativa no Estado do Amazonas (Aleam) é Roberto Cidade; a Prefeitura de Manaus é comandada por David Almeida e o governo estadual é conduzido por Wilson Lima. Todos foram eleitos como o novo na política, mas consolidam o voto conservador dos eleitores amazonenses.

Há 10 anos, os atuais dirigentes da CMM, da ALEAM, do Governo estadual e da Prefeitura de Manaus não existiam politicamente como força ou sequer estavam em cargos eletivos. Embalados pelo discurso da renovação, do novo na política e principalmente do anti-caciquismo, eles chegaram ao topo do poder na esfera estadual e municipal.

Depois das manifestações populares de 2013, das movimentações da operação Lava Jato e do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, o discurso da renovação e do anti-caciquismo político ganharam prefeituras e governos. Em 2016, eleição de João Dória, em São Paulo; Roberto Kalil, em Belo Horizonte, e de Marcelo Crivella para a cidade do Rio de Janeiro.

No ano de 2018, foram eleitos os governadores do Estado do Rio de Janeiro, do Amazonas, de Roraima, de Rondônia, de Minas Gerais, de Santa Catarina e do Paraná.

Porém, já no ano de 2020, o discurso do novo e o voto do eleitorado foram se revelando conservador. 73% dos prefeitos que disputaram foram reeleitos e outros retornaram ao cargo, como Eduardo Paes na cidade do Rio de Janeiro e Edmilson Rodrigues na cidade de Belém, no vizinho estado do Pará. Nas eleições gerais de 2022 – dos 20 governadores que foram candidatos à reeleição, 18 foram reeleitos.

No Amazonas, o discurso do novo e do anti-cacique apontam para um eleitorado que renovou os seus dirigentes pela via conservadora e tradicional, sendo usados, também, por políticos eleitos para a conquista do Poder, mas mantém o patrimonialista, a velha relação entre a religião e o estado, a desigualdade social e o clientelismo. Exemplos disso são inúmeros!

O processo de redemocratização no Amazonas foi conservador, o retorno ao Poder do populista Gilberto Mestrinho que se uniu com parte de apoiadores da Ditadura Militar-Civil; depois veio o Amazonino Mendes, o populista que objetivava superar Gilberto e propôs a alternativa econômica para o Estado, batizada por ele de Terceiro Ciclo; Eduardo Braga foi sucessor de Amazonino, apareceu como uma renovação e criador do programa Zona Franca Verde.

No Poder, Omar Aziz e José Melo buscaram manter a linhagem de Amazonino, de Gilberto Mestrinho e de Eduardo Braga; Wilson Lima no governo demonstra ser um político de direita e que utiliza de métodos próximos dos grandes caciques políticos do Amazonas.

De fato, o eleitorado do Amazonas tem perfil conservador. E pelo atual cenário político e cultural no Estado, não existem perspectivas, no curto prazo, para uma mudança. Em todos os municípios do Amazonas, o conservadorismo tenderá a se expressar de forma majoritária nos programas e candidatos nestas eleições de 2024.


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