11b7bea4-117c-4cbf-9b6e-7aeaec36a28d
Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece

Por: Walmir de Albuquerque Barbosa

Professor Emérito da UFAM; Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP); Graduado em Jornalismo pela UFAM.

O dia que a imprensa brasileira comeu mosca

Imprensa-brasileira

Valentes e empenhados em exigir desculpas do presidente da República a cada fala que os incomoda, nossos comentaristas políticos parecem tê-lo como um néscio, um pobre retirante que virou sindicalista, político carismático e chegou à Presidência da República por acaso, sem ter tido tempo e oportunidade de tirar um diploma, pois não tinha as benesses da “Lei do boi” (Lei Federal, número 5.465, de 03/07/1968, que reservava vagas para os filhos de fazendeiros nas escolas públicas federais) e, sem “lastro cultural”, fica se metendo em assuntos que desconhece e falando “besteiras”. Focados no “pedido de desculpas”, nossos jornalistas da grande mídia “comeram mosca”! “Ele”, de codinome “o visitante”, entrou pela porta da frente da Embaixada, estacionou o carro, foi recebido pelo embaixador, passeou no pátio a descoberto, tirou do carro a mochila, travesseiro, um “ursinho de pelúcia” e uma “garrafa térmica”, hospedou-se e passou dois dias. Incólume, deixou a Embaixada sem que ninguém da imprensa brasileira o visse. Um cinegrafista gravou um vídeo, imagino até usando um “drone”, vasculhou a parte interna e chegou aos cômodos da casa para dar maior credibilidade ao acontecido e mandou, por um túnel do tempo, a reportagem para longe, que foi emergir trinta e oito dias depois no The New York Times (25/3), nos Estados Unidos da América, quando o jornal deu o “furo” e a imprensa brasileira tomou conhecimento dos fatos, de segunda mão. E até agora cascavilha o STF para tentar descobrir as reações dos Ministros, mas não explica a “incompetência” ou a “leniência” do jornalismo brasileiro. Não se sabe, ainda, se o homem pediu asilo político ou se deixou a embaixada porque este lhe foi negado; se foi apenas para uma “festa do pijama”, como suspeitou um nobre comentarista ou se foi fazer o que declarou em nota oficial sua assessoria: “conversar com as altas autoridades mundiais sobre os assuntos que o interessavam”. As convenções internacionais consagram as embaixadas como territórios invioláveis no estrangeiro. O dito cujo, portanto, ficou fora do alcance de nossas autoridades e de nossas leis.

            Desculpem-me, mas novamente recorro à minha Avó, como sempre o faço nessas horas de impasse crítico. Ela contava uma história parecida com essa. No começo da República, quando o Exército Brasileiro procurava um inimigo interno, escolheu para vítima Canudos, povoado do interior da Bahia, que abrigava nordestinos vivendo em comunidade sob a liderança de Antônio Conselheiro, um visionário, depois tido como místico e alçado à categoria de monarquista pelos adversários, portanto, inimigo da República. E, assim sendo, para garantia da lei e da ordem, o Exército trava uma guerra e comete uma chacina (ou genocídio, se este estivesse tipificado em lei naqueles tempos, matando mais de 20 mil nordestinos contra cinco mil soldados, entre 1896 e 1897). Em três expedições, as forças militares foram derrotados pelo Conselheiro e seus comunitários. Para garantir a vitória, na quarta expedição, o Exército contou, também, com o contingente das Polícias Militares Provinciais e com os recrutas, estes lavradores vivendo em terras dos fazendeiros de todo o país e entregues por eles para dar fim ao “perigoso inimigo”. E, por onde vivia a minha Avó, morava um lavrador humilde, querido na região por ser um Rezador e dominar as “Orações Fortes”, tipo aquelas de “São Cipriano” e que recebeu a visita da “Volante”, tropa que arregimentava os recrutas, exigindo que os pais entregassem os seus filhos mais jovens para a Guerra contra o Conselheiro. Cada vez que a Volante chegava, o Velho Rezador evocava seus poderes, fazia uma oração que tornava as pessoas invisíveis e o Filho mais novo, objeto de cobiça da Volante, desaparecia. A Volante insistia, o Velho rezava e dizia: “O home tá aí, meus amiguim! O home tá aí!..pode levá”, até que a Volante desistiu de procurá-lo. Creio que o Homem da Embaixada tinha alguma oração forte para ficar invisível ou todos os jornalistas brasileiros e suas “fontes de bastidor” estavam empenhados, somente, em exigir que o presidente da República pedisse desculpas formais ao Governo Sionista de Netanyahu por ter falado em Genocídio em Gaza e deixasse de se “entrometer” na Petrobras, para que os rentistas embolsassem os poupudos dividendos extraordinários, que seriam distribuídos aos acionistas brasileiros e estrangeiros.


Qual sua Opinião?

Confira Também