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O Criador e a Criatura

Por: João Melo Farias

João Melo Farias Poeta e indigenista.

O dia dos povos originários

Até 1.500 os povos originários das Américas viviam como plenos senhores deste vasto território. Mesmo vivendo em guerras de sangue para conquistar terras, mulheres e poder, a historiografia nos prova que haviam longos períodos de paz permeados de grandes festas comunais, das quais, todos que se conheciam e se reconheciam participavam. E todos chamavam o território que ocupavam de acordo com a relação cosmológica que tinham com a mesma.

O povo Kuna da América Central a dizia “Abya Yala ou Abiayala”, que quer dizer terra madura, terra viva ou terra em florescimento, (da língua indígena Kuna que migraram do Norte da Colômbia para a Costa do Panamá). E é utilizada pelos povos caribenhos como um contraponto contra a palavra América de origem colonizadora, justamente, para afirmar que esta terra tinha donos e nomes (toponímia) antes da chegada dos europeus. Porém não é consenso seu uso devido a diversidade linguística/cultural dos vários vários povos originários da região. (https://iela.ufsc.br/projeto/povos-originarios/abya-yala).

Os Andinos Incas a chamavam de “Patcha Mama ou Pachamama”, que significa na sua mitologia: mama, mamãe. Pacha é mais complexo, é uma polissemia de significados: mundo, universo, espaço e até tempo. Então, a combinação dessas palavras pode se traduzir por: MÃE DA EXISTÊNCIA. Pachamama pode ser vista também como a deusa da fertilidade que preside o plantio e a colheita; é uma divindade onipresente com poder próprio, autossuficiente, para prover o sustento da vida na terra (https://www.brasildefato.com.br/2023/08/01/dia-da-pachamama).

Os povos de origem Tupi, que habitavam a região central da costa do Brasil a chamavam de PINDORAMA, a Terra das Palmeiras, ou o Lugar das Palmeiras devido a existência da grande quantidade de palmeiras no litoral brasileiro. (www.fundobrasil.org.br/blog/povos-indigenas-historia-cultura-e-lutas/#:~:text=Segundo%20dados%20da%20Funai%20).

Todos tinham uma forma cultural e carinhosa de designar o território onde viviam. E esse nome e significado era de acordo com a relação telúrica de cada povo.

Em 19 de abril de 1.940 as autoridades indigenistas e representantes dos povos indígenas das três Américas se reuniram em Patzcuaro, México, no primeiro Congresso Indigenista Interamericano para discutir a situação dos povos originários em todo o continente e propor ações para que os governos nacionais pudessem adotar para defender os direitos dos povos indígenas.

No Brasil, por insistência do grande Marechal Cândido Mariano Rondon, fundador do SPI/Servico de Proteção ao Índio junto ao Governo de Getúlio Vargas, foi aprovado o dia 19 de abril como o DIA DO ÍNDIO através do Decreto 5.540, de 2 de junho de 1943. Em 8 de julho de 2022 o Congresso Nacional, via Decreto Legislativo alterou o nome para DIA DOS POVOS INDÍGENAS, atendendo apelos das lideranças indígenas brasileiras por entenderem que a palavra ÍNDIO é carregada de preconceito e discriminação, além de significados negativos pela sociedade não indígena (https://m.brasilescola.uol.com.br/amp/datas-comemorativas/19-abril-dia-Indio.htm).

Em 2.024, mais uma vez, pela passagem do dia 19, o Brasil indígena pinta sua cara e mobiliza para se fazer presente na sede do poder político brasileiro: Brasília, para protestar e gritar de forma ordeira e pacífica pela manutenção dos direitos dos povos originários garantidos pela Constituição de 88 com um único objetivo: o bem viver.

A dívida histórica que o Brasil (Estado Nacional) tem para com os povos indígenas é monstra:
I) todo o território brasileiro foi tomado dos povos originários;
II) essa tomada de terras implicou na extinção física de mais de 400 povos originários;
III) a matriz indígena conforma o sangue Brasil devido a miscigenação nacional decorrente da chegada dos conquistadores desprovidos de matrizes femininas;
V) pela apropriação cultural dos povos originários pelo censo comum da sociedade brasileira.

Por esses e demais motivos históricos e culturais venho como poeta e indianista clamar junto com os povos originários pela condução de uma política mais igualitária, amistosa e diplomática do Estado Nacional com os povos originários, para que possamos ter um estado brasileiro, verdadeiramente plutietnico, multilinguístico e diverso racialmente, pois essa é a riqueza Brasil.

Viva a Semana dos Povos Indígenas. Viva o Abril Indígena. Viva o Dia dos Povos Indígenas!


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