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Mulheres e economia

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

O desafio dos bionegócios amazônicos

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Define-se bionegócios como sendo uma atividade com “fins econômicos”, desenvolvida por empresas, que tenham como principal característica o uso intensivo de insumos da biodiversidade (Araújo Filho, 2010).

O mercado dos bionegócios se implementado a partir de bases sustentáveis, apoio científico e tecnológico contribui para a inclusão socioeconômica de populações vulneráveis melhorando o seu bem-estar.

Regionalmente falando, o ambiente dos bionegócios apresenta o seguinte perfil: poucas empresas, predomínio de empresas de pequeno porte com administração familiar, seus produtos abastecem o mercado consumidor regional, suas receitas são obtidas a partir da venda de poucos produtos, o nível de pesquisa acerca da potencialidade dos produtos é considerado baixo e basicamente orientado para adaptar produtos lançados no exterior (Souza e Figueiredo, 2015).

Ainda para os autores (2015), os principais diferenciais competitivos estão embasados no grau de articulação entre o sistema de inovação e o segmento empresarial que fazem uso intensivo de recursos amazônicos e do sistema local de inovação no âmbito estadual.

Dentre os segmentos mais promissores, temos: alimentos & bebidas e de fitoterápicos & fitocosméticos, artesanato regional, madeira, móveis e artefatos e o polo cerâmico. Com destaque para os dois primeiros pois acredita-se que podem ser tecnologicamente modificados, agregando desta forma, valor aos produtos regionais (2015).

Os bionegócios possibilitam fomentar o desenvolvimento sustentável e a geração de emprego e renda na Amazônia reduzindo a pressão sobre o desmatamento e a exploração ilegal dos recursos florestais.

Apesar de um cenário promissor, temos inúmeros desafios que atrasam o avanço da atividade econômica na região, tais como: ampliação do volume de investimentos, melhoria da capacitação das populações locais, dinamismo dos processos e fortalecimento da segurança à inovação (propriedade intelectual) (Plenamata, 2023).

De acordo com o Mapeamento de tecnologias desenvolvidas a partir de bioinsumos da Amazônia, do INPI: os pedidos ou depósitos de patentes de maior número com bioinsumos foram relacionados ao Açaí (10,1%), Cupuaçu (5,6%) e Babaçu (4,9%). Os estados brasileiros com mais depósitos de patentes foram: Pará (23%), São Paulo (20%) e Amazonas (14%).

Por fim, é inegável que temos potencialidade para a exploração dos bionegócios, mas no âmbito estadual ainda não temos um ambiente favorável e articulado para a implementação de um Polo de Desenvolvimento Regional com base nos bionegócios amazônicos.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


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