transferir
O Esverdeamento da Economia

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

O custo econômico das mudanças climáticas

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as mudanças climáticas constituem transformações a longo prazo nos padrões do clima e da temperatura. Como a terra é um sistema interconectado, uma simples mudança em uma área impacta nas demais causando consequências como: secas severas, inundações, aumento do nível do mar, incêndios severos, escassez de água, derretimento das geleiras, tempestades e perda da biodiversidade (ONU).

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (mais conhecido pela sigla em inglês IPCC) estabelecido em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), é reconhecido pela ONU como a maior autoridade mundial em questões climáticas.

O IPCC tem o objetivo de melhorar o nível de entendimento científico sobre as mudanças no clima e temperatura e tem o propósito de analisar as informações científicas, técnicas e socioeconômicas relevantes para o entendimento do processo de mudança climática e seus efeitos. Seus estudos subsidiam os governos e os grupos de técnicos envolvidos no debate sobre as alterações climáticas e nas negociações internacionais para mitigá-las (ONU).

Um relatório do Fórum Econômico Mundial (2024) alertou que até 2050 as mudanças climáticas podem causar 14,5 milhões de mortes e US$ 12,5 trilhões em perdas econômicas em todo o mundo. As mudanças climáticas também contribuem para elevar os indicadores de fome e da desnutrição em todo o mundo.

Segundo estimativas da Agência de Risco S&P Global, até 2050, as mudanças climáticas devem provocar anualmente perdas de 4% na produção econômica global atingindo regiões mais vulneráveis do mundo. Acerca dos países mais vulneráveis, estima-se um impacto no PIB 3,6 vezes maior do que em nações ricas.

O Relatório do Fórum Econômico Mundial alerta que países cuja economia tenha como base o setor agrícola, como o Brasil, serão consideravelmente afetadas. Uma vez que o aumento da temperatura pode reduzir a produção agrícola e elevar as perdas de maneira drástica provocando escassez de alimentos. Para o Brasil, foram calculadas perdas anuais de US$ 2,6 bilhões.

Acerca da destruição causada pelas chuvas no Rio Grande do Sul, ainda não está claro qual será o custo efetivo da tragédia, mas segundo um estudo realizado pelos economistas, Livio Ribeiro e Matheus Ribeiro da Consultoria para Conjuntura Econômica de Brasil e China (BRCG), o Governo Federal deverá disponibilizar o montante de R$ 120 bilhões somente no ano de 2024 (Jornal O Globo).

De acordo com Lima (2024), “a adaptação às mudanças climáticas diz respeito a diminuição das vulnerabilidades e aumento da resiliência para que quando da ocorrência de eventos, as consequências sejam menos danosas. Para cada dólar investido em prevenção e redução de risco economiza-se até 15 dólares em recuperação pós-desastre”.


Qual sua Opinião?

Confira Também