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Será o Benedito?

Por: Luís Lemos

Professor, filósofo e escritor, autor, entre outras obras de: Filhos da quarentena - A esperança de viver novamente. Editora Viseu: Maringá-PR, 2021

O amor nunca acaba

Caraíba estava pensativo. A mulher e os filhos não saiam de sua cabeça. “Como eu gostaria que eles estivessem aqui comigo!”, pensava. “Filho, você precisa reagir”, disse o seu pai. “O dia do concurso está chegando”, alertou. “Eu sei pai”, respondeu. “Você precisa passar nessa prova”. “Pode deixar papai, eu vou passar”, concluiu Caraíba confiante.

Enquanto isso, Aysú também pensava em Caraíba. “Como seria bom se ele estivesse aqui conosco!”, disse em voz alta. “O papai vem morar aqui conosco, mamãe?”. “Aonde você ouviu isso, filho?”. “A senhora que acabou de disser”. “Não filho, eu acho que foi você que ouviu errado. Eu disse que o vovô está para chegar”, corrigiu-se Aysú.

“E como foi a prova, filho?”. “Fiz uma excelente prova mamãe, tenho certeza!”. “Que bom filho!”, disse a sua mãe. “Obrigado família por tudo, sem o apoio de vocês eu não teria chegado até aqui”. “Espero que você consiga realizar o seu senhor, filho”, disse o seu pai. “Ser professor é tudo o que eu quero ser”. “Você vai conseguir filho!”, respondeu sua mãe abraçando-o.

“Filha, esses meninos precisam conhecer o pai deles”, disse a mãe de Aysú. “O que eu posso fazer mamãe?”, perguntou Aysú. “Você poderia ir até a capital procurá-lo”. “Não seria ele que deveria nos procurar mamãe?”. Foi quando o seu pai entrou na conversa. “Os meus netos não vão sair daqui não. Se você quiser ir atrás dele que vá sozinha”, disse.

Quando saiu a lista dos aprovados para professor, o nome Moarci Caraíba Naurú estava entre os primeiros colocados. Foi uma alegria só. “Agora sim eu vou poder conhecer os meus filhos”, disse. “Isso mesmo filho, vá buscar a sua mulher e seus filhos”, disse sua mãe. “Mais antes não se esqueça daqueles que lhe ajudaram”. “Claro, papai! Não esquecerei jamais”.

Na fazenda Aysú despedia-se dos filhos e de seus pais. “Não vá demorar por lá não filha”, disse sua mãe. “Se não encontrar o traste por lá, denuncia-o logo no ministério publico”, disse o seu pai. “Quando a senhora volta mamãe?”, perguntou um dos trigêmeos e o outro disse: “Eu também quero ir com a senhora!”. “Não se preocupe filho, a mamãe logo estará de volta”, respondeu Aysú e convocou-os para um abraço coletivo: “Vamos, me abracem!”.

Na capital do Amazonas Caraíba ficou alguns instantes na porta da casa de seus pais, indeciso. “E quando eu lá chegar será que ela ainda vai me aceitar de volta? Será que ela ainda está solteira? Estará com outro? E os meus filhos, será que eles vão me reconhecer? Será que eles se parecem comigo? Como eles são? Será um casal?”, questionava-se Caraíba.

Do outro lado da rua, sua mãe corre atrás do filho, faz sinais, afobada, e diz: “Ia viajar sem se despedir de mim filho?”. “Não mãe…”. “Eu sei que você a ama mais do que tudo! Então vá meu filho, vá atrás do seu grande amor”, disse. “Está mais do que na hora de você resolver isso”, disse seu pai. Convicto de que estava tomando a decisão correta, Caraíba saiu rumo ao Porto de Manaus.

Naquela mesma hora, fruto do acaso ou do amor que existia entre eles, Aysú desembarcou no Porto de Manaus. Já do lado de fora, enquanto ela esperava um táxi, Aysú avista Caraíba que vinha caminhando em sua direção. Num primeiro momento ela não acreditou no que estava vendo, mas na medida em que ele se aproximava dela, as dúvidas foram se dissipando. “Era ele sim, estava só um pouco mais magro”, pensou.

Como na primeira vez em que se viram à atração foi à mesma, mútua. Primeiro um “oi”, depois “é você?”, em seguida: “meu deus, quanta saudade!”, se abraçaram e em questão de minutos já estavam íntimos, colocando as notícias em dia: ela falava dos filhos e ele da aprovação no concurso. Mais…
Daí a pouco Caraíba, com ar feliz, pega em sua mão, como nos velhos tempos… “A minha intenção era viajar para conhecer os meus filhos”, disse. “Eles estão muito bem, obrigada!”. “E seus pais?”. “Eles também!”. “Temos muito que conversar Aysú”. “Sim, temos”. E saíram os dois de mãos dadas caminhando pela Avenida Eduardo Ribeiro no Centro de Manaus porque o amor nunca acaba.


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