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Infraestrutura é essencial para o desenvolvimento econômico

Por: Michele Lins Aracaty e Silva

Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.

Nova seca ameaça a economia amazonense

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O artigo de minha autoria publicado no dia 08 de outubro de 2023 aqui mesmo no Portal Único levantou a discussão acerca dos impactos ocasionados pela seca sobre a economia amazonense.

Na época, elucidamos que os amazônidas padeciam das consequências da maior estiagem da história potencializada pelo fenômeno El Niño responsável pela redução do regime de chuvas e secas mais intensas e prolongadas na região.

O segundo semestre de 2023 marcou a realidade amazônica pois até os grandes rios como: Negro, Solimões, Juruá, Purus e Madeira apresentaram níveis abaixo das médias mínimas históricas.

Levando-se em consideração que a dinâmica da economia regional ocorre mediante o uso dos rios para a locomoção de pessoas, mercadorias, todo o abastecimento de insumos e envio de produto acabado do Polo Industrial de Manaus o cenário foi de prejuízo e caos.

A seca isolou ainda mais populações que vivem em áreas remotas dificultando inclusive a chegada de gêneros alimentícios de primeira necessidade e de água potável. Com os níveis mínimos dos rios até os poços artesianos que abastecem as comunidades secaram.

A formação do capital humano também precisou de intervenção para que o ano letivo dos alunos de escolas rurais não fosse comprometido. Para tanto, medidas emergenciais foram acionadas e aulas remotas foram implementadas.

No aspecto ambiental, tivemos cenas impactantes: toneladas de peixes e dezenas de botos mortos devido ao aquecimento das águas e falta de oxigênio. Situação que comprometerá a população de peixes nos rios nos próximos anos.

O nível crítico dos rios provocou paralisações no Polo Industrial de Manaus, elevação do valor do frete e aumento no tempo de entrega dos produtos. Havia também muita preocupação com o impacto nas vendas da Black Friday, Natal e Ano Novo.

Ao longo dos meses de estiagem, medidas emergenciais tais como: dragagem dos rios, antecipação do pagamento do Bolsa Família, do Benefício de Prestação Continuada (BPC), Pronaf e Seguro Defeso foram imprescindíveis para mitigar os efeitos da seca sobre a população e a economia regional.

Acerca do impacto econômico, a maior estiagem dos últimos 120 anos resultou num custo de R$ 1,4 bilhão para as indústrias instaladas no Polo Industrial de Manaus devido à falta de componentes e dificuldades logísticas. Além disso, registrou-se uma perda de aproximadamente R$ 1 bilhão na arrecadação da prefeitura de Manaus.

Findado o primeiro trimestre de 2024 e devido ao baixo volume de chuvas para este período, estudiosos do clima e da região amazônica já manifestam preocupação mediante a possibilidade da seca recorde ocorrida em 2023 se repetir em 2024 com prejuízo igual ou superior ao registrado no ano anterior.

Dada a atual conjuntura, deixamos as seguintes indagações: Que medidas estão sendo tomadas pelo poder público para o enfrentamento de mais um período de estiagem no Amazonas? Temos um plano de ação?

Por fim, é urgente discutirmos políticas públicas com foco em estratégias e ações de mitigação e adaptação. Necessitamos de um sistema de prevenção efetivo para o enfrentamento da seca, proteção aos ribeirinhos, às floretas e para a economia regional.

MICHELE LINS ARACATY E SILVA, Economista, Doutora em Desenvolvimento Regional, Docente do Departamento de Economia da UFAM, ex-vice-presidente do CORECON-AM.


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