Netflix mostra a saga de AlbertEinstein com a Bomba Atômica

Por Juscelino Taketomi

Nesta sexta-feira (16), a plataforma de streaming Netflix estreia a saga do físico Albert Einstein, autor da Teoria da Relatividade e considerado pai da era nuclear juntamente com um outro gênio da ciência moderna, Julius Robert Oppenheimer.

Como se sabe, há pouco o filme autobiográfico “Oppenheimer”, escrito por Christopher Nolan, arrebatou plateias no mundo inteiro ao narrar a história do cientista criador da bomba atômica, de acordo com os objetivos do Projeto Manhattan com relação ao processo que encerraria a Segunda Guerra Mundial com a destruição de Hiroshima e Nagasaki.

Agora, a Netflix lança ao público o documentário que conta a saga de Einstein, cientista alemão que, com sua mente privilegiada, surpreendeu o planeta com a divulgação da Teoria da Relatividade Geral em 1915.

Anthony Philipson é o autor do documentário produzido pela BBC Studios, comandando um elenco em que pontificam nomes como Aidan McArdle, Andrew Havil, Raquel Barry e Helena Westerman. ‘Einstein e a Bomba’ , sem dúvida, é um prato cheio, irresistível aos aficionados de filmes envolvendo celebridades científicas.

Carta a Franklin Roosevelt

Quem assistir ao documentário ‘Einstein e a Bomba’ conhecerá um dos documentos mais indescritíveis do século XX: a carta encaminhada por Einstein ao presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt, em 02 de agosto de 1939.

Na carta, escrita pelo físico húngaro Leo Szilárd, Einstein recomenda a Roosevelt especial atenção ao uso do urânio e faz alerta sobre a possibilidade de a Alemanha nazista estar avançando estudos para a criação de uma bomba atômica.

A carta mereceu a atenção do presidente americano, que ordenou a criação do Comitê Consultivo do Urânio (Advisory Committee on Uranium, no original) no final de 1939.

A seguir, em 1940, já no calor da Segunda Guerra, a carta inspiraria o Projeto Manhattan, gerador da bomba que ceifou a vida de 200 mil japoneses em 1945. Em 1964, o The New York Times garantiu que Einstein se arrependera da carta, lamentando as consequências terríveis da bomba.

O leitor do ÚNICO pode conferir aqui, na íntegra, a carta de Einstein a Roosevelt:

“Senhor:

Alguns trabalhos recentes de E. Fermi e L. Szilárd, que me foram comunicados em manuscrito, me levam a esperar que o elemento urânio possa ser transformado em uma nova e importante fonte de energia no futuro imediato. Certos aspectos da situação criada parecem exigir vigilância e, se necessário, uma ação rápida por parte da Administração. Acredito, portanto, que é meu dever chamar sua atenção para os seguintes fatos e recomendações:

No decorrer dos últimos quatro meses, tornou-se provável — através do trabalho de Joliot na França, bem como de Fermi e Szilárd na América — que pode ser possível estabelecer uma reação nuclear em cadeia em uma grande massa de urânio pela qual grandes quantidades de energia e grandes quantidades de novos elementos semelhantes ao rádio seriam gerados. Agora parece quase certo que isso poderia ser alcançado no futuro imediato.

Esse fenômeno também levaria à construção de bombas, e é concebível — embora muito menos certo — que bombas extremamente poderosas de um novo tipo possam ser construídas. Uma única bomba deste tipo, transportada por barco e explodida em um porto, poderia muito bem destruir todo o porto junto com parte do território circundante. No entanto, essas bombas podem muito bem ser pesadas demais para serem transportadas por via aérea.

Os Estados Unidos têm apenas minérios muito pobres de urânio em quantidades moderadas. Há algum minério bom no Canadá e na ex-Tchecoslováquia, enquanto a fonte mais importante de urânio é o Congo Belga.

Em vista dessa situação, você pode achar desejável manter algum contato permanente entre a Administração e o grupo de físicos que trabalham com reações em cadeia na América. Uma maneira possível de conseguir isso pode ser você confiar essa tarefa a uma pessoa de sua confiança e que talvez possa servir de forma não oficial. Sua tarefa pode incluir o seguinte:

a) abordar os Departamentos Governamentais, mantê-los informados sobre o desenvolvimento futuro e apresentar recomendações para ação do Governo, dando atenção especial ao problema de garantir o fornecimento de minério de urânio para os Estados Unidos.

b) acelerar o trabalho experimental, que atualmente está sendo realizado dentro dos limites dos orçamentos dos laboratórios da Universidade, fornecendo fundos, se tais recursos forem necessários, por meio de contatos com pessoas privadas que estejam dispostas a fazer contribuições para esta causa, e talvez também obtendo a cooperação de laboratórios industriais que possuam o equipamento necessário.

Eu sei que a Alemanha realmente parou a venda de urânio das minas da Checoslováquia que assumiu. O fato de ela ter tomado uma ação tão precoce talvez possa ser entendido com base no fato de que o filho do subsecretário de Estado alemão, von Weizsäcker, está vinculado ao Kaiser-Wilhelm-Institut em Berlim, onde alguns dos trabalhos americanos sobre urânio estão sendo repetidos.

Atenciosamente,
Albert Einstein”.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *